Ministério da Justiça barra tentativa de Hytalo Santos de usar “Lei Felca” para anular condenação

Uma nota técnica da Secretaria Nacional de Direitos Digitais, vinculada ao Ministério da Justiça, impôs um importante freio jurídico às pretensões de liberdade do influenciador paraibano Hytalo Santos e de seu marido, Israel Vicente. O documento, elaborado a pedido do Ministério Público da Paraíba, rebate ponto a ponto a tese de que a nova “Lei do ECA Digital” (Lei nº 15.211/2025) teria descriminalizado condutas pelas quais o casal foi condenado, como a produção de conteúdo sexual envolvendo menores de idade.

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A defesa de Hytalo sustenta a ocorrência de uma abolitio criminis, que é quando uma lei nova deixa de considerar um ato como crime. O argumento central dos advogados é que a legislação atual, também conhecida como “Lei Felca”, excluiu manifestações artísticas e culturais (como o Bregafunk) do conceito de pornografia. No entanto, a nota técnica nº 16/2026 esclarece que existe um erro conceitual grave nessa interpretação: a defesa confunde regulação administrativa de plataformas com o rigor do Direito Penal.

Segundo o parecer do Ministério da Justiça, o conceito de “conteúdo pornográfico” trazido pelo ECA Digital serve apenas para fins regulatórios e de proteção de acesso em redes sociais, não alterando em nada os tipos penais previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O documento é categórico ao afirmar que a exploração sexual de menores não pode ser camuflada sob o pretexto de liberdade de expressão ou produção cultural, reforçando que o crime de produzir material de abuso infantil permanece inalterado e com punição rigorosa.

O documento ministerial também destaca uma evolução terminológica importante: o abandono do termo “pornografia infantil” em favor de “material de abuso e exploração sexual infantil”. Essa mudança, alinhada a diretrizes internacionais, reforça que não existe a possibilidade de consentimento por parte de crianças e adolescentes, o que anula qualquer tentativa de relativizar as condutas do casal. Com esse embasamento técnico, a tendência é que o Tribunal de Justiça da Paraíba mantenha a condenação e a prisão preventiva de Hytalo e Israel, consolidando o entendimento de que a nova lei veio para ampliar a proteção no ambiente digital, e não para servir de brecha para condenados.

da Redaçao

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