“Surpreso”, José Pereira encaminha documentação para posse em Cabedelo e promete manter pauta “antifacção”

O presidente da Câmara Municipal de Cabedelo, José Pereira (Avante), deve assumir interinamente o comando do Executivo logo após o afastamento de Edvaldo Neto (Avante) pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (14). Em suas primeiras declarações, Pereira demonstrou surpresa com a Operação Cítrico, mas garantiu que a máquina administrativa não irá parar e que o Legislativo segue atento para assegurar a continuidade dos serviços à população.

Pereira disse que já encaminhou documentação para o setor jurídico da Câmara para possibilitar sua posse como prefeito interino, mas não deu certeza sobre a data em que tomará posse no cargo.

“Já encaminhei para o jurídico para que as providências sejam tomadas. Enquanto isso, hoje temos sessão normal”, declarou. Pereira já foi notificado pela Justiça Eleitoral sobre o afastamento de Edvaldo Neto do cargo de prefeito.

Apesar do impacto da investigação, que aponta um desvio de até R$ 270 milhões e elos com o Comando Vermelho, o prefeito interino confirmou que manterá a pauta administrativa enviada por Edvaldo antes do afastamento. Entre as prioridades está o projeto de lei de caráter “urgente e urgentíssimo” que aumenta o rigor na contratação de servidores, exigindo certidões negativas para evitar a infiltração de pessoas ligadas ao crime organizado na Prefeitura, além da proposta de redução do IPTU.

A ascensão de José Pereira ocorre menos de 48 horas após a vitória de Edvaldo Neto nas eleições suplementares. Enquanto a defesa do prefeito afastado classifica as acusações como “absolutamente inverídicas” e aposta no caráter provisório da medida, Pereira tenta projetar estabilidade. Ele reforçou que Edvaldo terá o direito de exercer sua defesa, enquanto ele, na condição de interino, focará em manter a Prefeitura funcionando “corretamente” para os cabedelenses.

A Operação Cítrico, que cumpriu 21 mandados de busca e apreensão contra 13 alvos, segue sob segredo de Justiça. Entre os investigados estão figuras da alta cúpula política, como o ex-prefeito Vitor Hugo e o agora ex-secretário de João Pessoa, Rougger Guerra, todos sob suspeita de integrar um “consórcio” criminoso voltado a fraudes licitatórias e lavagem de dinheiro em favor da facção Tropa do Amigão.

da Redação

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