
Suspeitos de movimentar R$ 10 milhões em um esquema de tráfico de drogas, o delegado Braz Morroni e três policiais civis foram transferidos para o Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa. A permanência do grupo na prisão foi determinada após a realização de uma audiência de custódia nesta terça-feira (2). Os agentes públicos haviam sido capturados no âmbito da Operação Perfidus, que apura o envolvimento de membros da segurança pública com o comércio ilegal de entorpecentes.
Como a investigação apura condutas equiparadas a crimes hediondos, a prisão aplicada é do tipo temporária e possui prazo inicial de 30 dias. Conforme o andamento do caso legal, este período na carceragem pode ser estendido por igual período ou transformado em prisão preventiva.
O advogado de defesa dos policiais, Luiz Pereira, criticou duramente a postura da cúpula da Polícia Civil de João Pessoa e rechaçou termos usados pelo delegado-geral para se referir aos investigados. Para o defensor, há um claro processo de condenação antecipada antes mesmo da conclusão do inquérito.
Para o advogado, “a gente está diante de um processo de assassinato de reputações. Esses policiais contam com anos de colaboração com a segurança pública e expostos sem poder dar suas versões”.
Entenda o caso
As investigações apontam que o grupo utilizava informações privilegiadas do sistema de segurança para monitorar rotas de entorpecentes e repassar dados sigilosos de veículos e imóveis a uma facção atuante no tráfico de drogas. Além do delegado Braz Morroni, que possui mais de duas décadas de carreira e comandava a Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), a operação prendeu os agentes Everton Rychelyson da Silva Aires, o “Bomba”, apontado como o articulador que ligava os policiais aos traficantes, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o “Mão Branca”, suspeito de rastrear cargas e ocultar entorpecentes desviados em sua própria casa.
Leia mais: Lucas Ribeiro reage a prisões de policiais e afirma que Estado não tolera o crime organizado
A Operação Perfídia cumpriu nove mandados de prisão preventiva e 24 ordens de busca e apreensão na capital paraibana, além de obter o bloqueio judicial de R$ 10 milhões pertencentes aos suspeitos. O nome escolhido para a ação faz alusão direta à traição e deslealdade cometida pelos servidores públicos contra o Estado e a sociedade.
Alvos e suspeitos de tráfico presos
Além dos três integrantes da Polícia Civil e do traficante denunciante, a operação prendeu outras pessoas ligadas à facção criminosa, incluindo suspeitos com atuação concentrada na região do Sertão do estado. Confira a lista completa dos alvos detidos na ação:
A Operação Perfidus (Perfídia em latim) significa “traição” ou “deslealdade” e faz referência à conduta atribuída aos investigados.
da Redação