
O secretário de Segurança Pública da Paraíba, Jean Nunes, confirmou nesta terça-feira (2) que o delegado Braz Morroni e os dois agentes da Polícia Civil presos na Operação Perfidus serão imediatamente afastados de suas funções administrativas e operacionais. O secretário destacou que a Corregedoria-Geral instaurou procedimentos disciplinares que podem culminar na demissão e expulsão definitiva dos três servidores dos quadros da corporação.
Segundo Jean Nunes, o expediente judicial contendo o teor das prisões está sendo encaminhado pela Polícia Civil à Secretaria de Segurança para a formalização das punições internas. O gestor enfatizou a necessidade de uma resposta rígida por parte do Estado para desarticular a rede criminosa instalada nas delegacias, ressaltando que a administração pública precisa agir com indignação para expurgar profissionais que utilizam o aparato estatal para cometer crimes e trair a confiança das instituições.
O papel dos policiais no esquema criminoso
As investigações apontam que o grupo utilizava informações privilegiadas do sistema de segurança para monitorar rotas de entorpecentes e repassar dados sigilosos de veículos e imóveis a uma facção atuante no tráfico de drogas. Além do delegado Braz Morroni, que possui mais de duas décadas de carreira e comandava a Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), a operação prendeu os agentes Everton Rychelyson da Silva Aires, o “Bomba”, apontado como o articulador que ligava os policiais aos traficantes, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o “Mão Branca”, suspeito de rastrear cargas e ocultar entorpecentes desviados em sua própria casa.
A Operação Perfidus cumpriu nove mandados de prisão preventiva e 24 ordens de busca e apreensão na capital paraibana, além de obter o bloqueio judicial de R$ 10 milhões pertencentes aos suspeitos. O nome escolhido para a ação faz alusão direta à traição e deslealdade cometida pelos servidores públicos contra o Estado e a sociedade.
Alvos e suspeitos de tráfico presos
Além dos três integrantes da Polícia Civil e do traficante denunciante, a operação prendeu outras pessoas ligadas à facção criminosa, incluindo suspeitos com atuação concentrada na região do Sertão do estado. Confira a lista completa dos alvos detidos na ação:
As defesas do delegado, dos agentes civis e dos demais citados no inquérito policial não foram encontradas para se posicionar a respeito das medidas administrativas e das prisões.
A Operação Perfidus (Perfídia em latim) significa “traição” ou “deslealdade” e faz referência à conduta atribuída aos investigados.
da Redação