Reportagem aponta avanço e interferência de facções criminosas na política paraibana

A interferência de organizações criminosas sobre processos eleitorais e estruturas da administração pública na Paraíba ganhou destaque em matéria nacional publicada na última quinta-feira (6) pela Revista Piauí. O levantamento expõe como grupos articulados têm avançado sobre campanhas e gestões municipais no estado, transformando a dinâmica política em regiões estratégicas da Grande João Pessoa.

A publicação detalha investigações da Polícia Federal focadas no bairro São José, na Capital Paraibana, durante a disputa municipal de 2024. O caso envolve a ex-primeira-dama Maria Lauremília Assis de Lucena, acusada de negociar com lideranças locais o bloqueio da entrada de adversários políticos na comunidade. Em contrapartida, teriam sido prometidos cargos comissionados na gestão municipal e repasses financeiros para uma organização não governamental. Detida em setembro de 2024 e posteriormente liberada pela Justiça, ela responde por peculato, corrupção eleitoral e associação criminosa, acusações rebatidas por sua defesa. O ex-prefeito e candidato ao Governo da Paraíba em 2026, Cícero Lucena (MDB), não figura entre os investigados na ação.

O cenário de influência do crime organizado também alcança o município de Cabedelo, onde apurações apontam a atuação de Flávio de Lima Monteiro, conhecido como Fatoka. O grupo liderado por ele teria interferido no pleito de 2020 para favorecer a eleição de seu cunhado, o ex-vereador Dinho (Avante), e obtido espaço no governo do ex-prefeito Vitor Hugo Castelliano (MDB) por meio de nomeações e contratos com a empresa de mão de obra Lemon. Nas eleições de 2024, a facção apoiou André Coutinho (Avante), que venceu a disputa, mas teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), decisão mantida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O sucessor no cargo, Edvaldo Neto (Avante), acabou afastado após apontamentos do Ministério Público sobre favorecimento à mesma empresa em licitações.

Diante do quadro de cooptação do sistema político, o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público da Paraíba, promotor Octávio Paulo Neto, enfatizou a mudança no perfil do assédio eleitoral nas comunidades. Segundo o representante do órgão fiscalizador, o cenário atual impõe dependência aos postulantes, que deixaram de negociar diretamente com lideranças comunitárias tradicionais e passaram a ficar subordinados aos chefes das facções que exercem o domínio territorial sobre os bairros.

da Redação

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