
Uma pregação do Frei Gilson sobre a estrutura do matrimônio e o papel feminino na sociedade disparou um intenso debate nas plataformas digitais nos últimos dias. O religioso, que se tornou um fenômeno de massa nas redes sociais, utilizou passagens do livro do Gênesis, o primeiro da Bíblia Sagrada, para definir o que chamou de “missão da mulher”, gerando uma polarização imediata entre fiéis conservadores e defensores da igualdade de gênero.
A polêmica centraliza-se na afirmação do sacerdote de que a mulher teria sido criada com a finalidade específica de servir ao homem. “Deus faz uma promessa para Adão: ‘Eu vou fazer alguém para ser sua auxiliar’. Aqui você já começa a entender qual é a missão de uma mulher. Ela nasceu para auxiliar o homem”, declarou o Frei durante a pregação para centenas de fiéis. A fala foi interpretada por críticos como uma visão reducionista e patriarcal, que ignora a autonomia feminina em prol de uma submissão doméstica justificada pela fé.
A reação foi imediata e ganhou contornos de debate nacional com o posicionamento da jornalista paraibana Rachel Sheherazade. Conhecida por seu estilo direto, a comunicadora rebateu a lógica do religioso ao traçar um comparativo com o Padre Júlio Lancellotti, conhecido pelo trabalho social com populações vulneráveis. Para Sheherazade, o foco de Frei Gilson distorce a essência do cristianismo ao priorizar o controle de comportamentos em vez da justiça social.
“Mais Padre Júlio e menos Frei Gilson. Por que Jesus não veio pregar o moralismo, mas a igualdade, a misericórdia, o repartir do pão, o respeito às mulheres, aos marginalizados e aos mais pobres”, sentenciou Rachel. A jornalista, que construiu carreira questionando estruturas tradicionais, enfatizou que o papel da religião deveria ser o de promover a dignidade humana e o respeito às mulheres, e não o de reforçar estigmas de subordinação.
Além de Sheherazade, a fala do Frei também foi alvo da senadora Soraya Thronicke, que classificou a interpretação como uma forma de “usar o nome de Deus em vão”. Enquanto defensores do frade sustentam que ele apenas reproduz a “verdade bíblica” sem filtros, as críticas lideradas pela jornalista reforçam o incômodo com o uso de dogmas religiosos para validar discursos que limitam a posição da mulher na sociedade contemporânea.
da Redação