
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) oficializou, nesta segunda-feira (27), sua candidatura à Presidência da República nas eleições deste ano. A convenção nacional do partido foi realizada em Brasília e contou com a presença do presidente da legenda, Eduardo Ribeiro.
O mineiro lança sua candidatura nas ruas sem ter definido, ainda, um nome para ser seu vice. E, pela postura adotada, coloca o governo Lula, PT e o Supremo Tribunal Federal (STF) como seus principais adversários. “Tudo o que dá certo neste país parece que o PT não gosta. A minha bandeira é estar contra o PT“, afirmou Zema.
Sobre o Supremo, o ex-governador disse querer que o Brasil “acabe com essa farra dos intocáveis”. “Nenhum outro pré-candidato tem criticado tanto essa farra quanto eu. Respondendo com muito orgulho o processo do excelentíssimo senhor ministro Gilmar Mendes. Mas eu quero frisar aqui que quem andou no jatinho do banqueiro bandido foi ele e os colegas dele, não fui eu.”
E prosseguiu com críticas a outros magistrados, sem citar nomes. “Quem conseguiu contrato de R$ 129 milhões com uma esposa foi um colega dele, quem fez uma transação no Taiayá foi outro colega dele. Eu que moro em Belo Horizonte há oito anos, para onde eu me mudei, nunca encontrei com o banqueiro bandido”, disse.
Em seu primeiro discurso como candidato oficial do Novo à Presidência, Zema afirmou que lutará para que o Brasil “retome a soberania que estamos perdendo”, referindo-se ao fato de os EUA terem classificado grupos criminosos como CV e PCC como terroristas.
“Tem gente falando aí que [o Brasil] está perdendo a soberania porque os Estados Unidos enquadraram as organizações, facções criminosas, como terroristas. O Brasil é que já deveria ter feito isso há muito tempo”, observou.
“Vou enquadrar todas as organizações e facções criminosas como terroristas. Vamos construir um superpresídio de referência num lugar remoto no meio da Amazônia, para onde todos esses líderes [de facções] vão ser encaminhados e vão mofar por pelo menos 25 anos”, completou.
Empate técnico
Nesta segunda, o mineiro teve boa notícia com a nova pesquisa da BTG/Nexus: em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ele está empatado tecnicamente: 42% a 46%.
Presidente do Novo, Eduardo Ribeiro ressaltou que Zema assumiu o governo de Minas “contra tudo e contra todos, sem apoio nenhum, e conseguiu também o principal case de restabilização de estado que este país já viu”.
“Se tem algo, talvez o maior legado que o Zema tenha deixado em Minas Gerais, e que é o que nós vamos buscar mostrar para o Brasil, é que uma boa gestão, com pessoas qualificadas, competentes, íntegras e corajosas, enterra o PT, como nós enterramos o PT em Minas Gerais”, ressaltou Ribeiro.
A oficialização da candidatura do ex-governador de Minas Gerais consolida a decisão do partido de manter um projeto próprio, apesar das especulações de que Zema poderia ocupar a vaga de vice na chapa encabeçada pelo filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
E o vice?
Romeu Zema chega à oficialização de sua candidatura sem chapa definida. Até agora, o Novo não tem um nome para vice-presidente. Nos bastidores, o ex-governador de Minas Gerais defendia o empresário Geraldo Rufino (Podemos), amigo pessoal, como vice. Mas a composição não avançou entre os dois partidos, uma vez que Rufino deve disputar vaga ao Senado por São Paulo.
Durante o 10º Encontro Nacional do Novo, em São Paulo, Zema chegou a citar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) como possível vice. No entanto, horas depois, Michelle descartou a hipótese. “Não há nenhuma chance de isso acontecer“, afirmou. Em meio à indefinição, Zema afirmou que a escolha para vice vai ocorrer após a convenção da legenda.
Direita e economia liberal
Natural de Araxá, no Triângulo Mineiro, Romeu Zema Neto, 61 anos, consolidou sua trajetória profissional longe da política tradicional antes de ingressar no meio público.
Ao longo de sua gestão como governador de Minas Gerais, alinhou-se por diversas vezes ao bolsonarismo, posicionando-se como uma das principais vozes da direita e do liberalismo econômico no Brasil, e é um duro crítico do governo do presidente Lula.
Formado em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), atuou por quase três décadas como gestor e presidente do conselho do Grupo Zema, conglomerado familiar com sede em Minas Gerais especializado em varejo de eletrodomésticos, postos de combustíveis e serviços financeiros.
Sua ascensão eleitoral ocorreu em 2018, quando concorreu ao governo mineiro pelo Partido Novo e venceu o pleito no segundo turno, contra nomes tradicionais da política mineira, apoiando-se em um discurso de austeridade fiscal e de gestão com mentalidade privada.
“Cartão de visita”
Após comandar Minas por dois mandatos seguidos (2019-2026), Zema apresenta como “cartão de visita” a implementação de “reformas estruturantes, desburocratização de investimentos enxugamento da máquina pública”.
Em entrevistas concedidas ao Metrópoles, o ex-governador frequentemente ressaltou os desafios de reestruturar as contas públicas do estado após herdá-lo com atrasos no pagamento de servidores municipais e estaduais.
Após deixar o governo de Minas Gerais em março de 2026 para o seu vice, Mateus Simões, Zema passou a atuar como uma das lideranças centrais do Partido Novo na articulação de alianças e na construção de sua candidatura à Presidência da República.
com Metrópoles