MPPB investiga uso de recursos públicos para tentar influenciar julgamento judicial em Cabedelo

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) abriu duas investigações, nessa quarta-feira (13), para apurar a conduta do prefeito afastado de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante). O foco do procedimento é o suposto uso irregular de verbas da Câmara Municipal para tentar interferir no desfecho de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), processo que resultou na cassação do ex-prefeito André Coutinho (Avante).

A investigação, conduzida pelo promotor Ronaldo Guerra, da 4ª Promotoria de Justiça de Cabedelo, também envolve Fernando Sobrinho, ex-secretário de Indústria e Comércio, e Diego Carvalho. O ponto de partida é uma denúncia sobre uma viagem a Brasília, realizada em outubro de 2025, sob a justificativa oficial de “agenda institucional”. Contudo, vídeos que circulam publicamente sugerem que o real objetivo seria a contratação de um escritório de advocacia para atuar nos bastidores do processo judicial.

Gravações e “trânsito” em tribunais
Nos registros citados pelo Ministério Público, os envolvidos mencionam a necessidade de “garantir” resultados favoráveis e citam ter “acesso” a instâncias superiores, além de mencionarem movimentos para “mexer os pauzinhos”. Para o promotor Ronaldo Guerra, os diálogos revelam fatos graves que ferem a ética no serviço público. “As circunstâncias, embora ainda dependentes de aprofundamento investigatório, revelam potencial relevância para a tutela da moralidade administrativa”, pontuou o magistrado no documento.

Gastos suspeitos com diárias e passagens
Além da suspeita de interferência no Judiciário, o MPPB aponta um possível desvio de finalidade no uso do erário. Edvaldo Neto, que na época era presidente do Legislativo, teria utilizado mais de R$ 7 mil em recursos públicos para custear passagens aéreas e diárias durante a estadia na capital federal. O órgão questiona se os valores foram empregados para fins particulares e políticos, o que configuraria irregularidade administrativa e dano ao patrimônio público.

A investigação agora entra na fase de coleta de provas e depoimentos para verificar se as tratativas gravadas se converteram em atos concretos de corrupção ou tráfico de influência. Os envolvidos deverão prestar esclarecimentos sobre a finalidade da viagem e a origem dos recursos utilizados para as articulações mencionadas nos vídeos. Se confirmadas as irregularidades, os citados podem responder por improbidade administrativa e outros crimes contra a administração pública.

da Redação

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