
O prefeito de Caaporã, município do Litoral Sul Paraibano, Chico Nazário (União Brasil), foi afastado do cargo por 180 dias após a deflagração da Operação Purgatório, realizada na manhã desta quinta-feira (20) pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba.
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Prefeitura e em outros endereços do município, no Litoral Sul da Paraíba. A investigação apura a possível existência de uma organização criminosa dentro do Poder Executivo municipal.

Além do prefeito, também foram afastados o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Urbanos, Severino Pereira de Lima Neto, e a agente de contratações da Prefeitura, Fernanda Ellen da Silva Gomes.
O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) determinou o sequestro de bens, incluindo ativos financeiros, veículos e imóveis, dos 12 investigados. A medida está limitada a R$ 1.999.205,06, valor que, segundo a investigação, corresponde ao prejuízo causado aos cofres públicos pela suposta organização criminosa.
Os investigados são:
Além dos afastamentos e do bloqueio de bens, a Justiça proibiu os investigados de acessar ou frequentar prédios da Prefeitura, incluindo secretarias e órgãos vinculados, e a sede da Câmara Municipal. Eles também não podem manter contato, pessoalmente ou por meios eletrônicos, com testemunhas, outros investigados ou servidores do setor de licitações.
As medidas cautelares foram determinadas pelo desembargador Joás de Brito Pereira Filho.
Investigação começou após vídeos
As apurações tiveram início após a divulgação, em 2024, de vídeos em que Chico Nazário aparece recebendo uma bolsa com dinheiro em espécie. Na época, o valor foi apontado como sendo de R$ 400 mil.
Segundo a investigação, o dinheiro teria sido destinado à campanha de Chico Nazário e do então candidato a vice-prefeito, Carlos Monteiro, pelo consultor financeiro Sandro Trajano de Freitas. Em contrapartida, o consultor indicaria uma empresa para prestar o serviço de coleta de lixo no município.
Os vídeos foram divulgados com exclusividade pelo Jornal da Paraíba. Em uma das gravações, o então candidato demonstra preocupação com a possibilidade de ser filmado ao receber o dinheiro. Em outro trecho, ele e Sandro Trajano conversam sobre a contratação da empresa.
“O lixo é seu. Se você botar qualquer pessoa, é seu. É nosso, né?”, afirma Chico Nazário na gravação.
Contrato para coleta de lixo
Poucos dias depois de assumir a Prefeitura, Chico Nazário publicou uma portaria rescindindo o contrato com a empresa que realizava a coleta de lixo no município. O acordo anterior tinha valor anual de R$ 1,6 milhão e vigência prevista até março de 2025.
Posteriormente, a HAC Serviços Ambientais LTDA – ME, apontada como empresa indicada por Sandro Trajano, foi contratada pela gestão municipal. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 270 mil e valor total de R$ 3,2 milhões.
A contratação para locação de caminhões e recolhimento de resíduos sólidos ocorreu por dispensa de licitação. Conforme o Gaeco, além de possíveis irregularidades no contrato da coleta de lixo, são investigados crimes de falsidade ideológica, uso de documento falso e lavagem de capitais.
Posse do vice
Com o afastamento de Chico Nazário, um documento foi encaminhado à Câmara Municipal solicitando a posse interina do vice-prefeito Carlos Monteiro. Uma sessão extraordinária deverá ser convocada para tratar da mudança temporária no comando do município.
A reportagem tentou contato com Chico Nazário, Hilton Amorim, representantes das empresas investigadas, secretarias municipais e a Procuradoria-Geral do Município, mas não obteve resposta até a última atualização. Os demais investigados também não foram localizados. O espaço permanece aberto para manifestações.
da Redação