Justiça aceita denúncia e torna réus delegado e outros sete investigados na Operação Perfídus, que apura ligação entre policiais e tráfico na Paraíba

A Justiça da Paraíba recebeu a denúncia do Ministério Público da Paraíba (MPPB) e tornou réus oito investigados na Operação Perfídus, que apura suspeita de formação de organização criminosa envolvendo policiais civis e integrantes do tráfico de drogas. Entre os réus estão o delegado Braz Morroni e os agentes Everton Rychelyson da Silva Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito.

A decisão que formaliza o início da ação penal foi assinada nesta terça-feira (25). Com o recebimento da denúncia, os acusados passam a responder judicialmente e terão prazo de 10 dias para apresentar resposta à acusação, podendo juntar documentos, indicar testemunhas e contestar pontos da denúncia.

Acusações do Ministério Público
Segundo o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), os investigados são suspeitos de integrar uma organização criminosa armada cuja principal atividade seria a apropriação e o desvio de carregamentos de drogas pertencentes a facções rivais. Os entorpecentes, conforme o MP, eram posteriormente reinseridos no comércio ilegal.

O grupo também é acusado de lavagem de dinheiro, por meio da dissimulação dos valores obtidos com as atividades criminosas.

A investigação teve como alvo servidores lotados na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa, que, segundo o Ministério Público, teriam atuado em conjunto com integrantes do narcotráfico.

Papéis atribuídos aos réus na denúncia
As acusações apresentadas pelo Ministério Público e que ainda serão analisadas no decorrer do processo são:

  • Braz Morroni: apontado como líder institucional do esquema.
  • Everton Rychelyson da Silva Aires: apontado como articulador entre policiais e facções criminosas.
  • Eduardo Jorge Ferreira do Egito: acusado de participar diretamente de ações para retirar drogas de depósitos utilizando viaturas oficiais.
  • José Alexandrino de Lira Júnior: apontado como articulador do tráfico interestadual.
  • João Wicttor Alves de Lima: acusado de atuar no refino, adulteração e distribuição de cocaína e crack na Região Metropolitana de João Pessoa.
  • Brendo Roberth Fernandes Sobral: acusado de manipulação e circulação de drogas no comércio varejista.
  • Paulo Ricardo Barbosa de Souza: apontado como informante e participante de distribuição de drogas, além de atuar em abordagens junto com policiais.
  • Vanessa Dantas Fernandes: permanecerá em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.

Manutenção das prisões preventivas
A Justiça decidiu ainda manter a prisão preventiva de sete dos oito réus: Braz Morroni de Paiva Júnior, Everton Rychelyson da Silva Aires, Eduardo Jorge Ferreira do Egito, José Alexandrino de Lira Júnior, João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral e Paulo Ricardo Barbosa de Souza.

A magistrada fundamentou a manutenção das prisões na gravidade dos crimes investigados, na suspeita de participação em organização criminosa estruturada e no risco de interferência nas investigações e na instrução processual.

Defesas
A defesa de Eduardo Jorge afirmou que ainda não teve acesso pleno aos elementos indiciários produzidos nas medidas cautelares vinculadas ao processo principal. Disse também que, embora a defesa não tenha acesso integral, o Ministério Público já obteve autorização para compartilhar essas provas com outros processos penais. A defesa sustentou que “a paridade de armas, o contraditório e a ampla defesa não podem existir apenas formalmente”.

As defesas de Everton Aires e Braz Morroni não haviam se manifestado até a publicação desta reportagem. As defesas dos demais réus não foram localizadas.

Próximos passos
Após a apresentação das respostas à acusação, o processo seguirá para a fase de instrução, quando serão produzidas e analisadas as provas, incluindo depoimentos de testemunhas e dos acusados.

A decisão também autorizou o compartilhamento de provas com outros inquéritos policiais, procedimentos da Corregedoria-Geral da Polícia Civil e apurações conduzidas pelo Ministério Público.

Operação Perfídus
A operação investiga suspeitas de tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. No total, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão. A Justiça determinou ainda o bloqueio de cerca de R$ 10 milhões dos investigados.

O nome da operação, “Perfídus”, significa traição ou deslealdade, em referência à conduta atribuída aos investigados.

da Redação

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