Fiscalização resgata 20 trabalhadores em condição análoga à escravidão em obra pública de Patos

Uma ação da Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE) resgatou, no final de julho, 20 trabalhadores submetidos a condições análogas às de escravidão em uma obra pública de pavimentação em Patos, no Sertão da Paraíba. O caso só veio a público nesta quarta-feira (9), quando a auditoria divulgou os resultados da fiscalização.

Os trabalhadores resgatados viviam em alojamentos coletivos fornecidos pela empregadora. A fiscalização abrangeu ainda outras duas empresas, nas quais foram identificados 10 e 20 trabalhadores em situação de informalidade, respectivamente, nesses casos, não houve resgate, mas medidas cabíveis foram adotadas.

Ao todo, a operação verificou a situação de 55 trabalhadores vinculados a três empregadores distintos. Desse total, 47 estavam sem registro e sem formalização de contrato de trabalho. Uma das empresas, responsável por duas frentes de pavimentação em paralelepípedos, concentrava 25 trabalhadores, dos quais 17 não possuíam registro.

Fotos de um dos alojamentos em que os trabalhadores ficavam — Foto: Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE)

As condições de moradia e trabalho encontradas pelos fiscais revelaram uma série de irregularidades. Dois alojamentos estavam superlotados e em estado precário, sem camas ou estrutura mínima adequada — os trabalhadores dormiam em colchões no chão, com pertences espalhados pelo ambiente.

Nas frentes de trabalho, não havia sanitários, lavatórios, vestiários, abrigo ou espaço apropriado para refeições e descanso. Os trabalhadores faziam suas necessidades no mato e se alimentavam sentados no chão, expostos ao sol, à poeira e a riscos de acidentes, sem qualquer equipamento de proteção, treinamento, acompanhamento médico ou suporte de primeiros socorros.

Também foram constatadas irregularidades nos pagamentos: os salários eram feitos em espécie ou por transferência bancária, sem emissão de recibos, e sem o pagamento da parcela referente ao repouso semanal remunerado para quem recebia por produção ou diária. Os fiscais encontraram registros manuscritos de pagamento e ponto contendo dados da obra, frequência dos trabalhadores e chaves de transferência utilizadas — mesmo entre aqueles sem registro formal.

A conduta dos entes públicos responsáveis pela contratação das obras será apurada em procedimentos específicos. O g1 procurou a Prefeitura Municipal de Patos para comentar o caso, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Direitos trabalhistas foram formalizados após fiscalização
Segundo a auditoria, os vínculos empregatícios dos trabalhadores foram regularizados, com registro no eSocial retroativo às respectivas datas de admissão, além do recolhimento do FGTS e das contribuições previdenciárias devidas.

O valor total destinado ao pagamento de verbas rescisórias ultrapassa R$ 85 mil. Os trabalhadores resgatados também terão direito ao seguro-desemprego específico para vítimas de trabalho em condição análoga à de escravo, desde que atendidos os requisitos legais previstos para o benefício.

da Redação

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