
Um novo impasse diplomático entre Washington e Teerã se estabeleceu neste domingo (10) com a movimentação em torno de propostas para encerrar o conflito no Oriente Médio. O processo foi iniciado pelos Estados Unidos, que enviaram uma proposta formal defendendo o fim imediato dos combates como condição prévia para a abertura de negociações sobre temas mais sensíveis. A exigência central da Casa Branca é que o governo iraniano aceite restrições rigorosas e abra mão de seu estoque de mais de 400 quilos de urânio enriquecido antes que a guerra seja considerada encerrada, visando neutralizar o programa nuclear que Washington considera uma ameaça global.
Em resposta, o Irã utilizou a mediação do Paquistão para encaminhar uma contraproposta composta por 14 pontos fundamentais, apresentando uma lógica de negociação inversa à sugerida pelos norte-americanos. A estratégia de Teerã consiste em adiar as discussões nucleares para uma etapa final, priorizando o fim imediato da guerra em todas as frentes, especialmente no Líbano, e a resolução do impasse no Estreito de Ormuz. O texto iraniano condiciona a paz à retirada das tropas dos Estados Unidos de áreas próximas, à liberação de ativos congelados, ao pagamento de indenizações e ao levantamento total das sanções econômicas que pesam sobre o país.
A reação do presidente Donald Trump à resposta iraniana foi de rejeição imediata, classificando o documento como totalmente inaceitável por meio de suas redes sociais. Trump argumentou que os iranianos ainda não pagaram um preço alto o suficiente pelos seus atos nas últimas décadas para que tais exigências sejam acatadas. Enquanto o diálogo trava na esfera diplomática, a tensão persiste no campo militar com Israel ordenando evacuações no sul do Líbano e o Irã mantendo o controle rigoroso sobre o fluxo marítimo no Golfo Pérsico, permitindo apenas passagens pontuais de embarcações, como ocorreu com um navio graneleiro que seguia em direção ao Brasil.
da Redação