EUA e Irã chegam a acordo de paz, dizem Trump e primeiro-ministro do Paquistão

Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo de paz, conforme informações confirmadas por Donald Trump e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif na noite deste domingo (14).

Em uma publicação na rede social X (antigo Twitter), Sharif declarou que “ambos os lados declararam o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano”.

Ainda segundo o premiê paquistanês, a cerimônia oficial de assinatura do tratado está marcada para o dia 19 de junho, na Suíça.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, também publicou a informação em uma postagem na rede Truth Social.

“O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído. Parabéns a todos!”, declarou Trump.

No texto, ele também determinou a liberação da rota marítima sem a cobrança de pedágios ou taxas e incentivou a retomada do transporte global de combustíveis. O Estreito de Ormuz é uma das vias mais importantes do mundo para o escoamento de petróleo.

“Autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, afirmou.

O serviço de notícias do Irã (agência IRNA) também confirmou a informação do acordo de paz, replicando mensagens de Donald Trump e de Shebaz Sharif.

Histórico
O presidente americano Donald Trump já havia dito que a assinatura do acordo de paz estava marcada para este domingo, em uma postagem na rede social Truth Social nesse sábado (13).

Segundo o americano, o Estreito de Ormuz será aberto imediatamente após a assinatura.

Confira outros pontos do acordo que, segundo Trump, estabelece o fim do conflito no Oriente Médio e coloca uma barreira definitiva para que o Irã tenha uma arma nuclear.

Pontos do acordo
Nenhuma das duas partes divulgou, oficialmente, o conteúdo do novo acordo. No entanto, a imprensa norte-americana e a iraniana publicaram alguns pontos com base em fontes dos dois governos.

A rede de TV CNN Internacional afirmou, com base em fontes do regime iraniano, que o memorando prevê que:

  • Haja um novo cessar-fogo de 60 dias em ‘todas as frentes’, incluindo o Líbano;
  • O Estreito do Ormuz seja reaberto imediatamente. O Irã não cobre taxas das embarcações, e o tráfico local volte aos níveis pré-guerra em 30 dias;
  • Os EUA também levantem o bloqueio naval que fazem na entrada de Ormuz;
  • Sanções ao Irã sejam flexibilizadas progressivamente;
  • O Irã se comprometa a não obter uma arma nuclear.

A agência de notícias Reuters ouviu de uma fonte do governo norte-americano que o acordo prevê que:

  • O Estreito de Ormuz será reaberto;
  • O programa nuclear iraniano será desmantelado;
  • O Irã não receba dinheiro de seus ativos congelados pelas sanções até que cumpra sua parte do acordo.

Já a imprensa estatal iraniana divulgou na última sexta-feira (12) que Teerã não abrirá mão do controle do Estreito de Ormuz e do direito de enriquecer urânio. A agência de notícias iraniana Mehr diz o memorando de entendimento deve:

  • Suspender as sanções dos EUA contra o Irã;
  • Retirar as forças militares norte-americanas das proximidades do país;
  • Levantar o bloqueio naval a portos iranianos, com reabertura do Estreito de Ormuz;
  • Interromper as hostilidades em todas as frentes da guerra, incluindo o Líbano.

Trump disse esperar que o processo seja conduzido de forma rápida, fácil e tranquila: “Esperamos trabalhar em conjunto com Irã e todo o Oriente Médio no futuro”, afirmou. O presidente americano também afirma que, “no momento apropriado e quando tudo estiver calmo”, os EUA irão recolher o resíduo nuclear enterrado sob montanhas de granito e destruí-lo.

Na manhã desse sábado, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse que os Estados Unidos e o Irã concordaram com os termos para um acordo de paz que encerraria o conflito de meses no Oriente Médio: “Estamos mais perto de um acordo de paz do que nunca”, publicou Sharif na rede social X, postagem compartilhada por Donald Trump, presidente americano.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que a assinatura de um memorando de paz não será realizada neste domingo: “Teremos que esperar para ver a data exata da assinatura do memorando de entendimento, embora não deva ser amanhã”.

Baghaei diz que a possibilidade da assinatura do memorando de Islamabad, capital do Paquistão, nos próximos dias não pode ser descartada, mas que “deve ser cauteloso” ao fazer qualquer comentário sobre a data da assinatura.

Sharif acrescentou que o Paquistão está agora se preparando para uma assinatura eletrônica esperada dentro das próximas 24 horas, seguida por negociações de nível técnico nas próximas semana.

“Gostaríamos de agradecer aos Estados Unidos da América e à República Islâmica do Irã por seu compromisso contínuo durante as negociações e estendemos nosso sincero agradecimento aos nossos irmãos na região por seu apoio. Estamos confiantes de que este acordo de paz histórico formará uma base sólida para uma paz duradoura”, publicou Sharif.

Um alto funcionário do governo americano disse à Agência Reuters acreditar que há um “acordo sólido com o Irã”.

A perspectiva para o fim da guerra ganhou força após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar na última quinta-feira (11) que os negociadores chegaram a um consenso. O Irã primeiro afirmou que nada estava fechado ainda, mas mudou de tom horas depois: o chanceler iraniano disse que um acordo de paz “nunca esteve tão próximo”.

Trump critica Irã
Na manhã da última sexta-feira, o presidente norte-americano chegou a dizer que os detalhes do acordo divulgados pela imprensa norte-americana são falsos e criticou o Irã por passar informações a veículos de comunicação. Trump também chamou os dirigentes iranianos de “pessoas muito desonrosas para se negociar”.

“Com eles, não existe negociação de boa-fé. INCRÍVEL! É melhor eles se organizarem, e RÁPIDO!”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social.

Horas depois, no entanto, Trump repostou uma mensagem do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abás Araqchi. No texto, Araqchi afirma que um acordo entre seu país e os Estados Unidos “nunca esteve tão perto”.

Acordo após bombas
A proximidade de um acordo entre os dois países foi anunciada pelo próprio Trump na última quinta-feira.

Após anunciar uma terceira noite de ataques e dizer que pretendia controlar o petróleo e o gás do Irã, Trump cancelou a ofensiva e afirmou que os negociadores chegaram a um consenso sobre “pontos finais” da proposta de paz.

O presidente norte-americano disse ainda que um acordo definitivo com Teerã “talvez seja assinado no fim de semana”. A assinatura ocorreria na Europa e contaria com a presença de seu vice, JD Vance, segundo Trump.

As indicações de um acordo ocorrem após Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques, mesmo sob cessar-fogo.

A nova escalada começou após a queda de um helicóptero militar das forças dos EUA durante um sobrevoo na região do Estreito de Ormuz. Após o episódio, Trump acusou o Irã de ter atacado a aeronave e disse que teria de revidar.

Na mesma noite, os EUA bombardearam sistemas de defesa no território iraniano e radares em Ormuz. O Irã revidou com ataques a uma base norte-americana no Bahrein. Na última quarta-feira (10), os EUA fizeram um novo ataque, respondido por Teerã com mísseis lançados novamente a países do Golfo Pérsico.

O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e disse que a escalada complicou ainda mais as conversas por um acordo de paz, além de tornar o cessar-fogo atualmente em vigor “sem sentido”.

com G1

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