
Os candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) se manifestaram sobre o conteúdo do relatório da Polícia Federal que mostra mensagens entre o empresário Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Flávio chamou Moraes de “advogado de Daniel Vorcaro” e afirmou que, caso sejam comprovadas as suspeitas reveladas pelas mensagens, o ministro não teria condições de permanecer no STF. As declarações foram dadas a jornalistas em Brasília nesta terça-feira (1º).
“A minha primeira percepção é de ficar bem impactado, porque ali está comprovado que o Alexandre de Moraes era o advogado, de fato, do Vorcaro”, afirmou Flávio em coletiva de imprensa no Senado.
Investigação da Polícia Federal (PF) aponta que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), participou da elaboração de um contrato de cerca de R$ 130 milhões entre o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A conclusão se baseia em registros digitais e metadados de arquivos obtidos pelos investigadores. As informações foram publicadas nesta terça-feira (1º) pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e confirmadas pela TV Globo.
Em nota, o escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que consultou o ministro sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação. Segundo o escritório, não foram identificados impedimentos e, por isso, o contrato foi assinado.
Flávio Bolsonaro também citou as mensagens de Vorcaro que mencionam o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
“São muitas acusações graves e que eu espero, de verdade, que ele esclareça, porque, caso contrário, se ele não esclarecer e se comprovar essas suspeitas que estão sendo reveladas agora por vocês da imprensa, ele não tem a menor condição de continuar sendo ministro”, declarou Flávio.
Romeu Zema
Zema também atacou Moraes ao comentar o relatório da PF em uma publicação na rede social X. O candidato afirmou que o ministro “merece cadeia” e retomou o pedido de impeachment que protocolou contra Moraes quando ainda era governador de Minas Gerais.
“Esse projetinho de ditador nunca me enganou”, escreveu Zema. Segundo ele, a PF demonstrou que Moraes “editou o contrato do escritório da esposa com o Master, às 23h04, no mesmo sistema que ele usa pra despachar processo”.
Zema também afirmou que Moraes “teria pedido proteção pro Vorcaro diretamente ao PGR e ao diretor da PF”.
“É por isso que ainda como governador de Minas protocolei o pedido de impeachment do Alexandre de Moraes. Impeachment é pouco. Ele merece é cadeia”, escreveu.
O candidato concluiu a publicação defendendo a prisão do ministro e a devolução de dinheiro: “Chega de intocável enriquecendo às custas do povo. Prisão pra ele e que devolva todo o dinheiro.
Renan Santos
Renan Santos também se pronunciou sobre o caso durante uma coletiva de imprensa em São Paulo. O candidato afirmou que Moraes está “envolvido até o pescoço” no escândalo do Banco Master e disse que, diante das revelações, o ministro não teria “condição moral” de ocupar uma posição de poder.
“Vendo o que está acontecendo agora com o senhor Alexandre de Moraes, que está envolvido até o pescoço do escândalo do Banco Master”, afirmou Renan.
“Com as revelações que nós tivemos, mostra que não tem nenhuma condição moral de estar em qualquer posição de poder numa República que se diz minimamente séria e democrática”, acrescentou.
Ronaldo Caiado
Em comunicado divulgado à imprensa, Caiado pediu o afastamento imediato de Moraes após a revelação de conversas com Vorcaro. “O ministro Alexandre de Moraes não tem a menor condição de continuar à frente do Supremo Tribunal Federal”, afirmou.
Para Caiado, “a conivência vivida entre os dois” desqualifica Alexandre de Moraes para a função de ministro do Supremo. Em vídeo publicado nas redes sociais, o candidato afirmou ainda que Vorcaro é o principal acusado de um esquema que “assaltou a população brasileira em mais de R$ 80 bilhões”.
Caiado defendeu que a Suprema Corte tome a decisão conjunta de afastar Moraes. “Eu acredito que o colegiado deverá se reunir e o Supremo dar uma satisfação à população brasileira de que ele estará afastado daquela Corte. É isso que o Brasil espera”, declarou.
Mensagens de Vorcaro
Também nesta terça, foi revelado pela que o ministro André Mendonça, do STF, pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre um documento da Polícia Federal que contém mensagens em que Vorcaro pede a um interlocutor a atuação de “Andrei e Paulo” em seu favor.
As referências seriam ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. A PF aponta a suspeita de que o interlocutor que recebeu a mensagem seja Alexandre de Moraes.
Mendonça deu prazo de cinco dias para que a PGR se manifeste sobre o documento.
Ao comentar as informações, Flávio afirmou que Moraes, a esposa do ministro, Gonet e Rodrigues devem prestar esclarecimentos.
“Ele tem que dar as explicações que caibam a ele, caibam à esposa dele. Eu acho que, como foram citados ali também, o procurador-geral da República e o chefe da Polícia Federal, eles também devem dar as explicações”, afirmou.
Flávio voltou a dizer que, em sua avaliação, Moraes não teria condições de permanecer no Supremo diante das suspeitas.
“Ele não tem, no meu posicionamento, nenhuma condição mais […] de continuar […] na Corte, porque ele, mais uma vez, está trazendo toda a Corte, toda a credibilidade da Corte, para um problema que não é da Corte”, disse.
Dark Horse
Flávio também foi questionado sobre a relação de Daniel Vorcaro com o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador voltou a defender o aporte feito pelo banqueiro ao projeto e afirmou que não houve irregularidade no investimento.
“Mais uma vez, gente, não tem absolutamente nada de errado em um patrocínio privado para um filme privado sobre o presidente Bolsonaro. Não houve nenhuma contrapartida por parte de qualquer autoridade pública”, disse.
Questionado sobre quanto Vorcaro teria colocado na produção, Flávio afirmou que os detalhes deveriam ser solicitados à produtora do filme.
“Perguntem à produtora. Está tudo feito, a prestação de conta, a perícia está feita, a conclusão foi que não há nenhum dinheiro público”, afirmou.
com G1