
A Polícia Civil realizou, na manhã desta terça-feira (1º), uma perícia no prédio residencial do bairro do Altiplano, em João Pessoa, onde um elevador despencou com uma mulher e seus dois filhos, há cerca de três meses. O acidente deixou as três vítimas feridas.
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A perícia começou por volta das 9h e contou com dois peritos e equipe de apoio para o registro fotográfico da estrutura do equipamento. O delegado Paulo Josafá, responsável pela investigação, informou que os elevadores do condomínio permanecem interditados desde o dia do acidente e continuarão assim até o fim das apurações, para permitir eventuais perícias complementares.
O caso, que inicialmente tramitou na esfera cível, passou a ser investigado criminalmente nas últimas duas semanas, quando foi registrado boletim de ocorrência e iniciadas diligências pela polícia.
As próximas etapas da investigação incluem a oitiva de testemunhas e pessoas envolvidas, como o síndico do condomínio e representantes da empresa responsável pela manutenção dos elevadores. A mulher que estava na cabine com os filhos, considerada a vítima com sequelas mais graves, também deverá prestar depoimento. Ela já recebeu alta médica e está em recuperação.
O delegado ressaltou que ainda não é possível apontar se houve falha na manutenção ou outro problema técnico que tenha provocado a queda. O laudo pericial deve ser concluído em aproximadamente 30 dias. Ao final do inquérito, a Polícia Civil avaliará as circunstâncias do acidente e eventual responsabilidade pelas lesões.
Relembre o acidente
O elevador despencou do terceiro andar de um dos blocos do condomínio em maio deste ano. A mulher e as duas crianças ficaram presas no fosso da cabine. Moradores abriram a porta por conta própria e iniciaram o resgate antes da chegada do Samu e do Corpo de Bombeiros. A mulher apresentava ferimentos e dores pelo corpo; as crianças tiveram lesões leves.
Disputa judicial e laudo técnico
O condomínio já havia acionado a Justiça contra a construtora por problemas recorrentes nos elevadores antes do acidente. Em janeiro de 2025, houve decisão favorável ao condomínio determinando a substituição integral dos equipamentos, mas a construtora recorreu e o processo segue em tramitação.
Um laudo técnico elaborado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 apontou diversas inconformidades no elevador do Bloco B, onde ocorreu o desabamento. Entre os problemas identificados estavam ausência de sinalização de segurança, falta de controle de acesso à casa de máquinas, inexistência de iluminação de emergência, ausência de extintor adequado, falhas no aterramento elétrico, falta de ventilação e problemas na organização da instalação elétrica.
O documento também registrou que a máquina de tração do elevador não atendia à capacidade de peso da estrutura nem às normas de segurança, recomendando a substituição completa do equipamento. A pendência foi classificada como de prioridade alta.
Procurada, a construtora informou, por nota, que a responsabilidade pela manutenção dos elevadores passou ao condomínio após a entrega do empreendimento, em setembro de 2023, e que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as apurações. Sobre as alegações do condomínio e o processo judicial, a construtora não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.
da Redação