Avanço de facções criminosas em Cabedelo expõe vínculos com o poder público, diz secretário

A influência de organizações criminosas no município de Cabedelo, na Grande João Pessoa, ganhou repercussão nacional após ser tema de uma reportagem especial do programa Fantástico, da TV Globo, exibida nesse domingo (10). Nesta segunda-feira (11), o secretário de Segurança Pública da Paraíba, Jean Nunes, comentou o cenário e admitiu que a infiltração de facções em estruturas do poder público é um dos principais obstáculos para as forças policiais, embora não interrompa o avanço das operações.

As investigações revelam um cenário preocupante: o domínio territorial de Cabedelo estaria sendo ditado à distância por lideranças do Comando Vermelho instaladas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Segundo Jean Nunes, essa correlação entre a criminalidade e agentes públicos exige uma atuação conjunta e persistente entre a Secretaria de Segurança, o Ministério Público (Gaeco), a Polícia Federal e o Judiciário. O secretário enfatizou que o foco permanece nas áreas de maior interesse dos grupos criminosos para desarticular essa rede de influência.

Desde que o fenômeno foi diagnosticado com maior intensidade no final de 2023, o estado intensificou as ações repressivas. O balanço apresentado pela pasta aponta que, em 2024, operações integradas resultaram na prisão de 98 pessoas ligadas ao crime organizado, muitas delas capturadas fora da Paraíba. No ano seguinte, esse número subiu para 110 detidos. Um dos nomes centrais no monitoramento policial é o de Flávio de Lima Monteiro, conhecido como “Fatoka”, fundador da Tropa do Amigão e foragido desde a explosão do Presídio de Segurança Máxima em 2018.

Para reforçar o combate a essa estrutura, Jean Nunes participa nesta terça-feira (12) do lançamento do programa federal “Brasil Contra o Crime Organizado”. A iniciativa prevê o aporte de R$ 11 bilhões em investimentos para fortalecer a inteligência e a investigação criminal. Em Cabedelo, o desafio é reverter o domínio simbólico e real das facções, que hoje marcam o território com pichações e monitoram a rotina de moradores e turistas em um dos principais destinos do litoral paraibano.

da Redação

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