
O frágil acordo de cessar-fogo de duas semanas, anunciado nessa terça-feira (7) entre o Irã e os Estados Unidos, enfrenta sua primeira grande crise menos de 24 horas após o anúncio. Nesta quarta-feira (8), as Forças de Defesa de Israel (FDI) realizaram o que classificaram como a “maior onda de ataques” contra o Líbano desde o início de março, atingindo mais de 100 alvos em Beirute, no Vale do Bekaa e no sul do país. A ofensiva ocorre em um momento crucial, ameaçando a abertura das negociações diplomáticas marcadas para a próxima sexta-feira (10), em Islamabad, no Paquistão.
O governo do Irã reagiu prontamente, classificando a ação israelense como uma violação direta do espírito do acordo. Fontes de segurança em Teerã alertaram que o país pode retomar sua ofensiva militar a qualquer momento em uma “defesa em grande escala”. Parlamentares iranianos, como o porta-voz Ebrahim Rezaei, defendem abertamente a suspensão da trégua e o fechamento imediato do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo mundial, sob o argumento de que o cessar-fogo deve abranger todas as frentes de batalha, incluindo o Líbano e a Faixa de Gaza.
Escalada de violência no Líbano
Enquanto a diplomacia tenta manter a trégua entre as potências, o solo libanês segue sob intenso bombardeio. Em apenas dez minutos nesta manhã, Israel atingiu centros de comando e instalações militares que seriam ligadas ao Hezbollah. No entanto, o Ministério da Saúde do Líbano relatou dezenas de mortes e centenas de feridos em bairros residenciais e densamente povoados. O balanço total desta fase do conflito, iniciada em 2 de março, já supera 1,5 mil mortos e mais de 1 milhão de deslocados.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou apoiar o acordo entre EUA e Irã, mas deixou claro que o Líbano está fora do perímetro de cessar-fogo. O Chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, reforçou que o objetivo é ocupar o território libanês até o Rio Litani, para garantir a segurança no norte de Israel. Analistas internacionais veem na movimentação um risco de anexação definitiva de terras libanesas, seguindo o modelo aplicado por Tel Aviv nas Colinas de Golã.
Impasse diplomático e o papel da mediação
O mediador do acordo, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, fez um apelo público à moderação, alertando que a continuidade dos ataques compromete a chance de uma solução pacífica. O Hezbollah, por sua vez, orientou que os cidadãos deslocados não retornem às suas casas ainda, acusando Israel de tentar criar uma “falsa impressão de vitória” através de ataques traiçoeiros contra civis.
O futuro das conversas em Islamabad agora depende de uma nova costura diplomática. Para o Irã, a reabertura de Ormuz e o cessar-fogo com os EUA estão vinculados à contenção das ações israelenses nas frentes regionais. Já os Estados Unidos enfrentam o desafio de alinhar seu principal aliado no Oriente Médio aos termos da trégua temporária para evitar que o conflito se transforme em uma guerra regional de proporções incalculáveis.
da Redação com Agência Brasil