Policial

Aumento do “stalking” contra mulheres na PB revela alta alarmante da violência de gênero

Em 2024, os casos de perseguição, conhecidos como “stalking”, contra mulheres aumentaram 51,3% na Paraíba, conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025. Este crescimento foi o maior do país e destaca a violência vivida por centenas de mulheres no estado, muitas vezes sem ser reconhecida ou reportada. Ao todo, foram registrados 1.414 casos de stalking, o que equivale a uma mulher sendo perseguida a cada seis horas.

De acordo com a Polícia Civil, a alta nos registros é atribuída à redução da subnotificação, com mais mulheres buscando apoio e denunciando os abusos. A delegada Sileide de Azevedo, coordenadora das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam), afirma que o aumento das denúncias é reflexo de uma maior conscientização sobre o crime. “Estamos vendo uma redução na subnotificação, com mais denúncias de situações que antes não eram registradas”, explicou.

Apesar desse avanço, a taxa de denúncias por 100 mil mulheres na Paraíba (66,1) ainda está abaixo da média nacional (87,2), indicando que muitos casos continuam sem ser reportados. A delegada alerta que, devido ao desconhecimento da população sobre o que configura stalking, muitas vítimas não reconhecem o crime em ações como ser seguida, monitorada nas redes sociais ou receber mensagens incessantes. “Ainda há um grande número de mulheres que naturalizam comportamentos abusivos”, afirmou Sileide.

Como identificar o “stalking”
O crime de perseguição está previsto no artigo 147-A do Código Penal e ocorre quando alguém insistentemente vigia, segue, ameaça ou invade a privacidade de outra pessoa. A delegada explica que um sinal claro de stalking é quando a insistência provoca medo e altera o comportamento da vítima. “Esse padrão repetitivo e invasivo é um indicativo claro de perseguição”, alertou.

Algumas formas comuns de stalking incluem:

  • Presença constante e indesejada do agressor nos mesmos locais da vítima
  • Envio repetitivo de mensagens, ligações ou e-mails
  • Monitoramento da rotina ou das redes sociais
  • Aparecimento inesperado na casa ou no trabalho da vítima

As penas para quem pratica stalking variam de seis meses a dois anos de prisão, além de multa, podendo ser aumentadas em casos que envolvam crianças, idosos, mulheres por questões de gênero, uso de armas ou ação conjunta de mais de uma pessoa.

Perfil dos agressores
Na Paraíba, a maioria dos casos de stalking envolve ex-companheiros. A delegada Sileide destaca que muitos agressores não aceitam o fim do relacionamento e utilizam a perseguição como forma de controle ou punição. No entanto, também há registros de perseguição por parte de colegas de trabalho, vizinhos, conhecidos e até desconhecidos, que desenvolvem obsessão pela vítima.

Denuncie
Se você sofre ou presenciou algum tipo de violência contra as mulheres, denuncie. “A denúncia é o primeiro passo para romper o ciclo da violência”, frisou a delegada Sileide de Azevedo.

  • Polícia Militar – 190
  • Polícia Civil – 197 (denúncia anônima)
  • Disque denúncia contra violência doméstica – 180 (denúncia anônima)
  • Delegacias da Mulher (Deam), com plantão 24 horas
  • Delegacia on-line – www.delegaciaonline.pb.gov.br
  • Central de Atendimento às Mulheres (WhatsApp) – (61) 9610-0180

da Redação

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