Policial

Acusado no Caso Alph é absolvido após defesa apresentar divergências de localização telefônica

O júri popular realizado nessa quinta-feira (13), no Fórum Criminal de João Pessoa, absolveu Abraão Avelino da Fonseca, segundo acusado pela morte do estudante universitário Clayton Thomaz de Souza, conhecido como Alph. A decisão marca um novo capítulo em um dos casos de maior repercussão recente na capital, quatro anos após o crime.

Clayton foi encontrado morto no dia 8 de fevereiro de 2020, em uma área de mata às margens de uma estrada em Gramame, com marcas de tiros. O corpo só foi identificado nove dias depois. De acordo com a investigação, o estudante havia desaparecido após sair com Selena, primeira acusada no caso, e com Abraão, no carro dela. As versões iniciais apontavam que os dois teriam levado a vítima até a comunidade Aratu, onde Abraão morava, e efetuado o disparo que causou a morte do jovem antes de abandonar o corpo em um terreno que dá acesso à Praia de Gramame.

A motivação, segundo a denúncia do Ministério Público, estaria ligada a um desentendimento provocado por um triângulo amoroso. Selena mantinha relacionamento com Abraão, mas também se relacionava com Alph. Testemunhas afirmaram ter visto os três juntos no dia do desaparecimento, e dados de telefonia analisados na época mostravam que os sinais dos celulares de Alph e Selena estavam na mesma localização na data do crime. Em abril de 2024, Selena foi condenada a mais de 17 anos de prisão.

Abraão, no entanto, permaneceu foragido desde fevereiro de 2020 e só se apresentou nesta quinta-feira, no início do júri. Durante o julgamento, a defesa apresentou novos elementos obtidos por meio da quebra de sigilo telefônico do réu, indicando que o celular dele não estava na mesma área que os aparelhos de Alph e Selena na data e hora estimadas do crime. As informações levantaram dúvidas entre os jurados e contrariaram a tese do Ministério Público, que havia pedido sua condenação.

A sentença lida pelo juiz Antônio Gonçalves Ribeiro Júnior refletiu a decisão dos jurados pela absolvição. O Ministério Público, entretanto, já anunciou que irá recorrer e buscar uma nova apreciação do caso.

A investigação sobre a morte de Alph teve várias frentes. Inicialmente, a polícia chegou a avaliar se desentendimentos do estudante com seguranças da Universidade Federal da Paraíba poderiam estar relacionados ao crime, mas a quebra de sigilo telefônico de um servidor investigado não identificou qualquer conexão que justificasse essa linha de apuração.

Com a absolvição de Abraão, o caso volta a um ponto sensível para a família da vítima e para os movimentos estudantis, que acompanharam de perto o processo desde 2020. A expectativa agora se volta para o recurso anunciado pelo Ministério Público e para os desdobramentos que ele poderá produzir.

da Redação

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