
A Paraíba encerrou junho de 2026 com 92.381 empresas inadimplentes, segundo levantamento da Serasa Experian. O montante de dívidas acumuladas chega a R$ 1,7 bilhão. Em número absoluto de empresas devedoras, o estado ocupa a quinta posição no Nordeste.
Apesar disso, a Paraíba sobe para o segundo lugar na região quando o critério é o valor médio da dívida por CNPJ. Cada empresa inadimplente deve, em média, R$ 18.720,81. A quantidade média de débitos não pagos por empresa é de 5,6.
No cenário nacional, o Brasil fechou o mês com 9,1 milhões de empresas negativadas, totalizando R$ 232,9 bilhões em dívidas. O Nordeste concentra 1.205.713 empresas inadimplentes e R$ 19,7 bilhões em débitos. Em apenas um ano, 1,5 milhão de novas empresas entraram para a lista de devedores no país.
Os setores mais afetados pela inadimplência são Serviços, com 55,7% dos CNPJs negativados, e Comércio, com 32,2%. A Indústria responde por 8% e outros setores por 4%.
A economista-chefe da Serasa, Camila Abdelmalack, explica que o alto endividamento das famílias, que atingiu 82% em julho segundo a CNC, reduz o consumo e afeta diretamente a receita das empresas. Com menos faturamento, muitas companhias atrasam pagamentos e acabam negativadas.
O crédito caro também dificulta a recuperação. A Taxa Selic está em 14%, mesmo após quatro cortes recentes. “Em vez de investir em expansão a partir de um empréstimo, as empresas usam o crédito para capital de giro e sobrevivência”, afirmou Camila Abdelmalack.
O cenário de incerteza fiscal e eleitoral de 2026 também contribui para o pessimismo entre empresários e investidores, segundo análise da XP Investimentos.
O economista Cássio Besarria destacou que a estrutura produtiva da Paraíba agrava o problema local. “Os dados apresentados reforçam que esses impactos podem ser maiores aqui no nosso estado, apesar de isso refletir uma tendência nacional. Porque o setor de serviços e as micro e pequenas empresas representam esse perfil de maiores inadimplentes. E no estado da Paraíba, 95% das empresas são classificadas como micro e pequenas. Além disso, o setor de serviços representa mais de 70% do PIB do estado. São fatores que lançam o sinal de alerta, especificamente para a Paraíba”, disse.
da Redação