“Virose de verão”: saiba o que é, como se pega e quando procurar atendimento médico

Com a chegada do verão, aumentam os casos de pessoas com sintomas como febre, mal-estar, dor no corpo, diarreia e vômitos — quadro popularmente conhecido como virose. Apesar de comum, a condição exige atenção, principalmente em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
Para esclarecer as principais dúvidas, o infectologista Ralcyon Teixeira, diretor da Divisão Médica do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, explica o que é a virose, como ocorre a transmissão e quais cuidados devem ser adotados.
Segundo o especialista, virose é um termo popular usado para definir um conjunto de doenças infecciosas, geralmente causadas por vírus — embora, em alguns casos, bactérias também possam estar envolvidas.
“Elas provocam sintomas comuns como mal-estar, febre, dor no corpo, diarreia, náuseas e vômitos. Muitas vezes não conseguimos identificar rapidamente o agente causador, por isso o nome genérico”, explica Ralcyon Teixeira.
O verão favorece a disseminação dessas infecções por reunir fatores como calor intenso, maior circulação de pessoas, viagens, festas e aglomerações. Além disso, o cuidado com a conservação e o preparo dos alimentos costuma diminuir nesse período.
“Comidas mal armazenadas, preparo inadequado e menor atenção à higiene das mãos aumentam muito o risco de transmissão”, alerta.
Como a virose é contraída
A transmissão ocorre principalmente pelo contato com vírus ou bactérias presentes em água e alimentos contaminados, além do contato direto entre pessoas.
Casos de diarreia, por exemplo, estão frequentemente associados ao consumo de alimentos mal higienizados, mal cozidos ou contaminados durante o preparo — situação comum em receitas com maionese caseira e carnes mal passadas.
Também há transmissão por vias respiratórias, quando pessoas infectadas estão muito próximas, conversando, tossindo ou espirrando.
“O ambiente também pode ser um fator, como águas impróprias para banho em praias, que podem conter coliformes fecais”, explica o infectologista.
Quais são os sintomas mais comuns?
Os sintomas variam conforme o tipo de infecção, mas geralmente começam de forma inespecífica. Entre os mais relatados estão:
- Mal-estar geral
- Falta de apetite e cansaço
- Febre baixa no início, podendo aumentar
- Dor no corpo e dor de cabeça
- Nos quadros gastrointestinais, são comuns:
- Náuseas e vômitos
- Diarreia líquida, com vários episódios no dia
- Cólicas abdominais
Já nos quadros respiratórios, podem surgir:
- Coriza
- Espirros
- Tosse seca
- Dor de garganta e nariz entupido
Quando procurar um médico?
A orientação médica é fundamental quando os sintomas se intensificam ou não melhoram. De acordo com Teixeira, é essencial procurar atendimento se houver:
- Dificuldade para se hidratar devido a vômitos persistentes
- Febre alta
- Diarreia com sangue
- Sonolência excessiva ou confusão mental
- Tosse com secreção e febre persistente
- Alterações de comportamento, especialmente em crianças
“Pessoas com comorbidades, como diabetes, doenças cardíacas ou pulmonares, precisam de atenção redobrada”, reforça.
A virose pode piorar se não for tratada corretamente?
Sim. Embora muitos casos sejam autolimitados, a falta de cuidados pode levar a complicações.
“A desidratação é uma das principais consequências, além da piora de doenças preexistentes, como hipertensão, diabetes e insuficiência cardíaca”, explica o médico.
Em situações mais graves, pode haver necessidade de internação não apenas pelos sintomas da infecção, mas pelo impacto que ela causa em outros órgãos.
Como evitar a virose no verão?
A prevenção passa principalmente por medidas simples de higiene:
- Lavar bem as mãos com água e sabão
- Usar álcool em gel quando não houver água disponível
- Higienizar corretamente frutas, verduras e legumes
- Evitar alimentos crus ou mal cozidos
- Não misturar alimentos crus com preparados na mesma tábua
- Ter cuidado com churrascos, maionese caseira e alimentos vendidos por ambulantes
- Consumir apenas água filtrada ou fervida
- Manter vacinas em dia, especialmente contra vírus respiratórios
Quais alimentos evitar após a virose?
Após episódios de diarreia, o intestino fica temporariamente mais sensível. Por isso, alguns alimentos devem ser evitados:
- Leite e derivados (queijo, requeijão, iogurte)
- Alimentos gordurosos
- Doces e bebidas alcoólicas
- Alimentos laxativos, como mamão e ameixa
- Feijão, verduras cruas e alimentos ricos em fibras
O ideal é optar por uma alimentação leve, com:
- Arroz
- Carnes magras e frango
- Sopas
- Bastante líquido, como água e água de coco
“Esses cuidados ajudam na recuperação do intestino e evitam a piora dos sintomas”, conclui o infectologista.
Band.com.br




