RD Congo contabiliza 6 mil casos de ebola e quase 3 mil mortos

A epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RD Congo), cuja propagação é a mais rápida que já ocorreu, ultrapassou os 6 mil casos e contabiliza 2.911 mortos, informaram hoje (31) as autoridades da nação vizinha de Angola.

As autoridades congolesas anunciaram também que mais de 1.360 pessoas se recuperaram da doença, uma evolução que consideram encorajadora.

A epidemia no leste do país está se propagando em condições extremamente difíceis, alimentada pela insegurança, deslocamentos de populações, greve dos profissionais de saúde e intensos movimentos populacionais.

A situação é particularmente preocupante nos locais que acolhem deslocados, onde os moradores já vivem em condições extremamente precárias.

Na semana passada, o vírus se alastrou a duas novas áreas sanitárias da região.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que a epidemia continua fora de controle e está a caminho de ultrapassar o episódio de ebola de 2014-2016 na África Ocidental, o mais mortal já registrado, que matou mais de 11 mil pessoas, sobretudo na Guiné-Conacri, Libéria e Serra Leoa.

No sábado (29), uma equipe de resposta ao ebola foi atacada nos arredores da cidade de Mambasa, na província de Ituri, quando respondia a um pedido para garantir a segurança durante a remoção de um cadáver.

Jovens armados com catanas invadiram o local do funeral, obrigando a equipe a fugir e ferindo um dos seus membros, disse um representante à agência Associated Press (AP).

“Exigimos maior segurança para trabalhar no terreno e desempenhar nossas funções sem colocar nossas vidas em perigo”, afirmou Floribert Magene, membro da equipe de resposta.

A epidemia é provocada pelo vírus Bundibugyo, um tipo raro de ebola para o qual não existe vacina ou tratamento aprovado.

Na semana passada, a RDCongo começou a vacinar profissionais de saúde e outros trabalhadores da linha da frente com a vacina Ervebo, eficaz em episódios anteriores de ebola provocados por um tipo diferente e mais comum, denominado Zaire.

Estão em curso ensaios clínicos para encontrar uma vacina autorizada contra o vírus Bundibugyo.

Embora a atual epidemia, a 17ª no país, tenha sido declarada em meados de maio, as autoridades acreditam que o vírus já se propagava desde fevereiro. Alastrou-se de três zonas sanitárias para quase 60, sendo que a maioria dos casos e mortes ocorreu fora da rede de contatos monitorados e no meio das comunidades.

Os esforços para controlar a epidemia, desde a limitação de reuniões públicas ao distanciamento social e ao fechamento de aeroportos, perturbaram a vida nas seis províncias afetadas, sobretudo em Ituri, também devastada pela violência de grupos rebeldes.

O governo introduziu algumas medidas, incluindo a instalação de equipamentos de saúde e sanitários em determinados locais, mas grupos de defesa de direitos afirmam que é necessário fazer mais para conquistar a confiança das comunidades.

Embora o país vizinho, Uganda, se tenha declarado livre de ebola no mês passado, o risco de maior propagação transfronteiriça mantém-se, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS) na semana passada.

Agência Brasil

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