
Ciúmes relacionados a um suposto relacionamento entre o motoboy Erick Rodrigues, de 23 anos, e a ex-companheira de um suspeito teriam motivado a tortura e a morte do jovem, em João Pessoa. A informação foi confirmada pelo delegado Filipe Williams, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com base em elementos apresentados durante a audiência de custódia de um dos investigados.
Erick estava desaparecido desde terça-feira (25), quando fez o último contato com a companheira. O corpo dele foi encontrado no sábado (29), em uma área de mata no bairro Padre Zé. Segundo a Polícia Civil, o jovem teria sido torturado por integrantes de uma facção criminosa.
Um homem foi preso na sexta-feira (28), suspeito de envolvimento no crime. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva no domingo (30), e a motivação apontada para o homicídio foi considerada na decisão judicial.
Conforme a Polícia Civil, a geolocalização da motocicleta de Erick levou os investigadores até uma residência no bairro Padre Zé. O imóvel pertencia à ex-companheira do motoboy. No local, os policiais encontraram o atual namorado da mulher, que usava tornozeleira eletrônica e já havia sido condenado pela Justiça.
O homem preso teria confessado que ordenou uma “disciplina” contra Erick, expressão usada por ele durante o depoimento. Segundo a versão apresentada à polícia, a ação teria sido motivada pela suspeita de que o motoboy mantinha um relacionamento com a mulher.
Ainda conforme o delegado, o suspeito afirmou que contou com a ajuda de outros dois integrantes da facção para torturar a vítima. Ele teria dito que, após a violência, Erick foi levado para Caaporã. O investigado negou ter participado da execução, mas admitiu envolvimento na tortura.
A investigação aponta que Erick foi atraído até a residência após receber uma mensagem. De acordo com a Polícia Civil, o texto não teria sido enviado pela ex-companheira, mas pelo próprio suspeito, que teria usado o celular dela para se passar por ela.
A mulher negou à polícia que mantivesse um relacionamento com Erick. Segundo a corporação, ela relatou que integrantes de uma facção invadiram a residência e que sofreu violência doméstica motivada pela suspeita do companheiro sobre um possível caso entre ela e o motoboy. A Polícia Civil informou que adotou medidas relacionadas à denúncia.
Erick e a ex-companheira não tinham filhos, mas cuidavam juntos de uma criança que é filha biológica dela. Esse vínculo teria mantido o contato entre os dois mesmo após o fim do relacionamento.
A mãe do motoboy afirmou à imprensa que a relação do filho com a ex-companheira era conturbada. Ela também declarou que a mulher teria feito ameaças contra Erick em outras ocasiões.
“Esse relacionamento toda vida foi conturbado. Ele nunca teve paz com ela. Era uma briga muito grande. Ela sempre dizia ‘no dia que você me deixar eu mato você’. Em casa mesmo, se ele discutisse ela dizia a mim: ‘Um dia eu ainda mato seu filho’. Ela dizia isso várias vezes”, relatou.
A mãe também contou que Erick saiu de casa na terça-feira dizendo que iria trabalhar e não respondeu às mensagens enviadas durante a madrugada. Segundo ela, o filho tinha forte vínculo com a criança que ajudou a criar.
A Polícia Civil continua investigando o caso para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer a responsabilidade de cada pessoa na tortura e na morte do motoboy.
da Redação