
O esquema sofisticado que utilizou alvarás falsificados para tentar libertar sete líderes de organizações criminosas de alta periculosidade da Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes, o PB1 e PB2, em João Pessoa, motivou a abertura de um inquérito por parte da Polícia Civil da Paraíba. A Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) assumiu o caso após requisição da Vara de Execuções Penais da Capital, conforme determinação da Delegacia-Geral da Polícia Civil. O objetivo principal da investigação é apurar a conduta dos detentos que seriam beneficiados e identificar os responsáveis pela criação e inserção dos documentos fraudulentos no sistema prisional, que teriam sido enviados por meio do Malote Digital do Conselho Nacional de Justiça, levantando a suspeita de uso indevido de credenciais de servidores federais.
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A fraude foi descoberta pelos policiais penais no momento em que alguns dos detentos já haviam sido chamados para assinar os termos de soltura. Diante da suspeita na semelhança dos papéis, a direção do presídio realizou uma consulta direta à juíza Andreia Arco Verde e ao juiz Carlos Neves, magistrados da Vara de Execuções Penais cujos nomes constavam nos alvarás. Ambos negaram a autoria das assinaturas e confirmaram que se tratava de uma falsificação, o que levou a juíza Andrea Arcoverde a emitir decisões imediatas classificando o ato como uma tentativa deliberada de fraudar a Justiça. O Tribunal de Justiça da Paraíba informou que os mecanismos de segurança técnicos e humanos impediram que qualquer liberação indevida fosse concretizada, e que o Ministério Público, a Presidência do TJPB e as comissões de segurança da instituição foram formalmente comunicados para acompanhar os desdobramentos.
O caso ganha contornos ainda mais graves diante do perfil dos detentos que permaneceram custodiados e do avanço tecnológico do crime organizado no estado. Entre os alvos do falso benefício estão lideranças expressivas de diferentes grupos criminosos, como Francinaldo Barbosa, conhecido como Vaqueirinho e apontado como o principal nome da Nova Okaida, além de fundadores e conselheiros do Comando Vermelho e do Bonde do Cangaço, a exemplo de Samuel Mariano da Silva, o Samuca, e Clodoberto da Silva, o Betinho, que possuem penas severas que chegam a 36 anos de reclusão. De acordo com informações da Secretaria de Administração Penitenciária da Paraíba, o sistema prisional do estado já contabilizou pelo menos 13 tentativas de fuga utilizando fraudes documentais desde dezembro do ano passado. As autoridades chamam a atenção para o nível de sofisticação dos documentos, que demonstram indícios do uso de ferramentas de Inteligência Artificial para replicar com precisão os modelos oficiais. Além do inquérito da Polícia Civil, a pasta estadual abriu um procedimento administrativo interno que pode resultar em punições disciplinares severas e impactar diretamente no cálculo de cumprimento de pena dos envolvidos.
da Redação