Pesquisa AtlasIntel indica liderança de Lula e queda de Flávio Bolsonaro após vazamento de áudios

A nova rodada da pesquisa nacional AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, divulgada nesta terça-feira (19), consolidou o cenário de liderança do presidente Lula (PT) na corrida pela Presidência da República. O levantamento capturou o impacto imediato da divulgação de áudios entre o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, e aponta que a crise provocou uma pulverização de alternativas no campo da oposição, resultando em uma oscilação negativa expressiva no teto de votos do senador fluminense nos confrontos diretos contra o atual presidente.

Primeiro turno
O levantamento mostra o petista à frente dos principais nomes da direita, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ); o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD); e o líder do MBL (Movimento Brasil Livre), Renan Santos (Missão).

A pesquisa também testou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) no lugar de Flávio em um dos cenários.

Na primeira simulação, Lula tem 47% das intenções de voto contra 34,3% de Flávio Bolsonaro. Renan Santos aparece com 6,9%, empatado tecnicamente com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), que tem 5,2%; o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) surge com 2,7%. O escritor Augusto Cury (Avante) soma 0,4% das intenções de voto, e o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), 0,2%. Brancos e nulos são 1,4%, e 1,9% não soube responder.

Na série histórica, Lula oscilou 0,4 ponto percentual para cima, enquanto Flávio recuou 5,4 pontos percentuais após a divulgação do áudio em que pede recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Com isso, a distância entre Lula e Flávio quase dobrou numericamente: passou de 6,9 pontos percentuais em abril para 12,7 pontos em maio.

Outro destaque do levantamento é o crescimento de Renan Santos. O pré-candidato tinha 2,9% em abril e agora aparece com 6,9%, assumindo a terceira colocação.

No segundo cenário, Lula marca 46,7% das intenções de voto. Zema aparece com 17%; Caiado, com 13,8%; e Renan Santos, com 8%. Aldo Rebelo registra 1,8%, e Augusto Cury, 1,2%. Brancos e nulos somam 6,8%, enquanto 4,6% não souberam responder.

Já no terceiro cenário, com Michelle Bolsonaro na disputa, Lula mantém 47%. Michelle aparece com 23,4%; Zema, com 10%; Renan Santos, com 7,8%; e Caiado, com 6%.

Aldo Rebelo soma 0,7%, e Augusto Cury, 0,5%. Brancos e nulos totalizam 2,3%, mesmo percentual dos indecisos.

Segundo turno
Em um eventual segundo turno, o Flávio Bolsonaro caiu seis pontos percentuais desde abril e acumula 41,8% das intenções de voto contra 48,9% de Lula. No último levantamento, Flávio tinha 47,8%, enquanto o petista somava 47,5%.

Lula ainda lidera outras quatro simulações de segundo turno: contra o ex-governadores de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), o coordenador do MBL (Movimento Brasil Livre), Renan Santos (Missão) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que se encontra inelegível e cumpre pena por tentativa de golpe de Estado.

Lula x Romeu Zema

Lula x Ronaldo Caiado

Lula x Renan Santos

Lula x Jair Bolsonaro

Percepção sobre o vazamento das conversas entre Flávio e Vorcaro
A pesquisa aponta ainda que 95,6% dos brasileiros ficaram sabendo do áudio e das mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Dentre eles, 51,7% acreditam que o senador está diretamente envolvido no esquema de fraudes financeiras do Banco Master.

Para 33,3% dos brasileiros, entretanto, a troca de mensagens entre Flávio e Vorcaro representa uma tentativa legítima do senador de conseguir apoio financeiro para a produção do filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Outros 12,1% dos entrevistados acreditam que as mensagens e o áudio trocados entre o senador e o ex-banqueiro mostram uma relação de proximidade, mas sem comprovação de ilegalidade.

Essa é a primeira pesquisa a nível nacional feita após a divulgação das mensagens entre Flávio e Vorcaro. Na última quarta-feira (13), o site Intercept Brasil publicou documentos, mensagens e um áudio em que o senador negocia com o ex-banqueiro um repasse de R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse”.

Nas semanas anteriores à divulgação das mensagens, Flávio tentou se desvencilhar do escândalo do Banco Master. Quando Ciro Nogueira (PP) foi alvo de uma operação da Polícia Federal por suspeita de ter recebido “vantagens indevidas” de Vorcaro, Flávio minimizou sua relação com o colega de Senado e disse que só tinha se referido a ele como o “vice dos sonhos” por “cortesia”.

Poucos dias, durante evento com apoiadores em Florianópolis, Flávio vestiu uma camisa com o slogan “O Pix é do Bolsonaro, o Master é do Lula”.

Mas, segundo a pesquisa Atlas/Bloomberg, 43,3% dos brasileiros acham que os aliados de Bolsonaro são o grupo político mais envolvido no esquema de fraudes financeiras do Banco Master, enquanto 32,8% acham que são os aliados de Lula e 7,1% apostam no Centrão.

Para outros 16,1% dos entrevistados, todos estão igualmente implicados no esquema.


A principal linha de defesa que Flávio e seu entorno têm usado para justificar a troca de mensagens com Vorcaro é de que as conversas foram estritamente profissionais e os vazamento teriam sido seletivos, com o objetivo de prejudicar a pré-campanha do senador à Presidência.

Para 54,9% dos brasileiros, entretanto, o vazamento representa “evidências obtidas em uma investigação legítima”. Outros 33% concordam com o senador e acreditam que a divulgação das conversas é “uma tentativa de prejudicar politicamente Flávio Bolsonaro”. Para 9,7% dos entrevistados as duas opções têm o mesmo peso e outros 2,5% não souberam responder.


Impacto na candidatura
Para 45,1% dos entrevistados pela Atlas/Bloomberg, a divulgação das mensagens trocada entre Flávio e Vorcaro “enfraqueceu muito” a candidatura do senador à Presidência. Para 19%, o episódio “enfraqueceu um pouco”, 15% acham que “não afetou a candidatura” e 13,4% acreditam que “fortaleceu a candidatura”. Outros 7,3% não souberam avaliar.

Apesar da leitura de enfraquecimento ser maior, o efeito parece ter sido menos impactante entre a base eleitoral do senador.

Do total de entrevistados, 3,6% declararam estar “menos dispostos a votar” no senador após o episódio, e 9,4% se disseram “muito menos dispostos a votar”. Outros 47,1% já não votariam em Flávio de qualquer forma, enquanto 21% disseram que as mensagens “não afetam” a disposição do voto.

Há ainda um percentual de 13,7% dos entrevistados que se sentiram “muito mais dispostos a votar” em Flávio após a divulgação das mensagens trocadas, com mais 5,1% que se declararam “mais dispostos a votar” no senador pelo mesmo motivo.

Metodologia
Foram ouvidas 5.032 pessoas, por meio de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR), entre os dias 13 e 18 de maio. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

A pesquisa foi realizada com recursos próprios do instituto e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-06939/2026.

com CNN Brasil

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