
A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) concede, nesta sexta-feira (7), o título de Doutor Honoris Causa ao líder indígena Capitão Potiguara, em cerimônia realizada no Campus I, em João Pessoa. A comenda homenageia a trajetória de lutas e contribuições históricas de José Ciríaco Sobrinho para a inclusão da diversidade étnica e a valorização da cultura ancestral no meio de ensino superior do estado.
Ao avaliar o significado da honraria concedida pela instituição, Capitão Potiguara destacou o avanço no diálogo entre o conhecimento científico e as tradições originárias. “A universidade pública precisa compreender que ela também tem muito a aprender com os povos indígenas. Durante muito tempo, o conhecimento produzido dentro das universidades foi considerado o conhecimento mais importante, enquanto os saberes dos povos tradicionais eram deixados de lado. Isso precisa mudar. A universidade hoje está abrindo suas portas para os nossos conhecimentos”, declarou o homenageado.
Natural da Aldeia São Francisco, no município de Baía da Traição, o líder de 69 anos iniciou o vínculo com a UFPB no fim da década de 1970, atuando incialmente como trabalhador terceirizado no Campus I antes de ingressar no quadro de servidores públicos federais da universidade. Ao longo de mais de quatro décadas, desempenhou papel estratégico na articulação política para a implantação do Campus IV, no município de Rio Tinto, e na criação de cursos alinhados às vocações locais, a exemplo de Antropologia, além de fundar o Grupo de Trabalho Indígena (GT Indígena) para fomentar projetos de extensão e políticas permanentes de apoio a estudantes aldeados.
Na esfera dos movimentos sociais, a atuação de Capitão Potiguara estende-se ao processo de demarcação e regularização fundiária das terras indígenas Potiguara, Jacaré de São Domingos e Monte-Mór, bem como à representação do povo paraibano junto à Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme) e instâncias nacionais de debates públicos.
Em mensagem voltada às novas gerações de estudantes das aldeias, o homenageado incentivou o acesso contínuo aos ambientes de formação acadêmica. “Eu diria para eles: não tenham medo de ocupar esses espaços. Se você é jovem indígena e tem o sonho de entrar numa universidade, vá. Estude, busque conhecimento, mas nunca tenha vergonha de dizer quem você é. A juventude é o futuro do nosso povo. Por isso, estudem, ocupem os espaços e voltem para fortalecer suas comunidades”, concluiu.
da Redação