
A Justiça da Paraíba determinou o cumprimento imediato da medida socioeducativa de internação aplicada ao adolescente de 17 anos responsabilizado pela morte de Washington Rodrigo, de 33 anos, em um hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa. O jovem continuará no Centro Educacional do Adolescente, onde já estava internado provisoriamente.
Na sentença, a Justiça reconheceu a prática de ato infracional análogo a homicídio qualificado por motivo fútil, meio cruel e uso de recurso que teria impedido a defesa da vítima. “Aplico ao adolescente a medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado”, diz a decisão.
A internação deve ser reavaliada obrigatoriamente a cada seis meses e pode ser encerrada antes desse período por determinação judicial. O tempo máximo da medida é de três anos, com liberação obrigatória quando o adolescente completar 21 anos, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.
A representação do Ministério Público foi recebida pela Justiça em 31 de julho de 2026. Na ocasião, havia sido determinada a internação provisória pelo prazo legal de 45 dias. A identidade do adolescente não foi divulgada, em respeito às normas do ECA.
Segundo a sentença, após o crime, o jovem deixou a Paraíba e passou por Natal e Caicó, no Rio Grande do Norte. Ele se apresentou à Polícia Civil em 27 de julho, depois do avanço das buscas.
Investigação
Washington Rodrigo foi encontrado morto em 24 de julho, sobre a cama de um quarto de hotel na orla de Manaíra. Ele estava com as mãos amarradas, um pano na boca e um fio enrolado no pescoço.
A investigação aponta que a vítima e o adolescente haviam iniciado contato pela internet e marcado um encontro para a madrugada seguinte. Conforme a Polícia Civil, o jovem entrou no hotel usando um documento falso e deixou o local sem registrar a saída.
Em depoimento, o adolescente confessou o homicídio, segundo o delegado Diego Garcia. Ele relatou que suspeitou ter sido fotografado durante um momento íntimo e afirmou que temia ser exposto por causa da própria orientação sexual.
Ainda de acordo com a polícia, o adolescente teria usado algemas e simulado um fetiche para imobilizar Washington. Uma pistola de airsoft teria sido utilizada para obrigar a vítima a informar a senha do celular, com o objetivo de verificar a existência de mensagens ou imagens relacionadas ao encontro.
O jovem também declarou que usou o cabo de um secador de cabelo para estrangular a vítima. Segundo a versão apresentada, a intenção era apenas deixá-la desacordada para que pudesse sair do quarto. O Instituto de Medicina Legal, no entanto, confirmou que Washington morreu por asfixia e apresentava sinais de tortura.
Depois da morte, o adolescente tentou deixar o local dirigindo o carro da vítima, mas não conseguiu. Washington trabalhava como motorista autônomo e havia informado à família que faria uma corrida para Pipa, no Rio Grande do Norte.
Durante as diligências, a Polícia Civil apreendeu uma pistola de airsoft e algemas. Para os investigadores, os objetos contribuíram para esclarecer a dinâmica do crime e a participação do adolescente. A polícia informou ainda que não encontrou entorpecentes no quarto.
Conforme a corporação, o adolescente tinha ao menos 17 boletins de ocorrência no Rio Grande do Norte e já havia sido submetido a internação socioeducativa. Os registros mencionados envolvem atos análogos a furto qualificado, extorsão, perseguição, ameaça, violência doméstica e lesão corporal.
da Redação