
Um levantamento técnico realizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) aponta que a extinção da escala de trabalho 6×1 no Brasil beneficiaria diretamente 135.379 trabalhadores formais na Paraíba. O contingente representa a parcela da mão de obra local que atualmente atua no comércio, na indústria, na logística e no setor de serviços cumprindo seis dias consecutivos de atividade para apenas um de descanso semanal. Com a eventual aprovação da mudança na legislação trabalhista, esse grupo seria migrado automaticamente para o modelo de escala 5×2, que assegura dois dias de folga remunerada.
De acordo com o banco de dados do ministério, a Paraíba conta hoje com 335.207 trabalhadores já inseridos no regime de 5×2, o que equivale a 71,23% do mercado formal do estado. Os outros 28,77% correspondem justamente aos profissionais submetidos à jornada mais desgastante. No cenário amplo, que engloba a redução geral do teto da carga horária semanal de 44 para 40 horas, o impacto na Paraíba seria ainda mais expressivo, alcançando um universo de 442.348 pessoas em diferentes ramos da economia estadual.
A reestruturação das relações laborais transformou-se em pauta prioritária para o Governo Federal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, no dia 13 de abril, uma mensagem presidencial enviando ao Congresso Nacional, sob regime de urgência constitucional, o projeto de lei que limita a jornada a 40 horas semanais e fixa os dois dias de repouso, proibindo qualquer tipo de redução nos salários vigentes. Em pronunciamento oficial, o chefe do Executivo criticou a manutenção do formato atual frente aos avanços tecnológicos contemporâneos e destacou o impacto do desgaste físico e mental, sobretudo para as mulheres, que costumam enfrentar duplas jornadas com afazeres domésticos e cuidados familiares.
Em escala nacional, o diagnóstico do MTE mapeou o perfil de contratação de 44,7 milhões de cidadãos no país. Desse montante, aproximadamente um terço da população economicamente ativa (14,9 milhões de brasileiros) permanece atrelado à escala 6×1. O relatório técnico indica ainda que 38,6 milhões de trabalhadores cumprem rotinas superiores a 40 horas por semana no Brasil, sendo que a esmagadora maioria, cerca de 37,2 milhões, atinge o limite máximo atual de 44 horas semanais, enquanto 1,4 milhão registra expedientes flutuantes entre 40,1 e 43,9 horas.
da Redação