
Jurista e eterna aprendiz, em jornada de autodescoberta, refinamento e amadurecimento.
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Muitos vão culpá-la por sua impulsividade em compras pela internet. Muitos vão julgá-la ingênua por acreditar em falsas propagandas de produtos que lhe interessam: livros, estantes para livros e tudo relacionado a esse universo. Flora já ficou frustrada demais para absorver opiniões negativas; por isso, não se importa mais com tais julgamentos, mas, no fundo, ficou bastante abalada por ter sido vítima de dois golpes em uma mesma semana.
Primeiro, viu uma propaganda falsa de uma livraria famosa que prometia dar livros a quem respondesse a um questionário. Ela já tinha se encantado e escolhido um box de livros do Harry Potter (não estranhem, Flora já é adulta – o que ocorreu aqui foi pura memória afetiva da infância). Mas eles pediram dinheiro, e ela deu; depois pediram mais dinheiro, referente a uma tal tarifa, e ela também deu. Na terceira vez que pediram dinheiro – para sei lá o quê -, ela se tocou de que tudo era uma farsa, um golpe.
No outro dia, a famosa livraria emitiu uma nota dizendo que não estava realizando pesquisas com promessa de prêmios ou livros. Flora tentou recuperar o crédito no banco. E adianta? Não conseguiu. Perdeu dinheiro – e a esperança nas novas edições dos livros de Harry Potter.
O segundo golpe foi semelhante, porém um pouco mais complexo. Viu uma propaganda de uma estante portátil que ficaria perfeita em sua mesa de estudos. Clicou em um link que redirecionava para um site aparentemente confiável, com CNPJ, avaliações positivas e tudo mais. Efetuou o pagamento e recebeu um e-mail com o código de rastreamento. A coitada olhava, de instante em instante, se havia alguma notificação de entrega – e nada.
Paralelamente, recebeu mensagens da transportadora dizendo que era preciso pagar uma tarifa alfandegária. Desconfiou e se deu conta de que caíra em mais uma farsa. Depois descobriu que o CNPJ – que parecia até verdadeiro – era falso, e que as avaliações deveriam ser, no mínimo, forjadas.
Flora engoliu a indignação e agora é mais criteriosa e cuidadosa com compras na internet. O ocorrido com ela se repete todos os dias com milhares de pessoas, de modo que muitos têm algum depoimento parecido para contar. No entanto, as expectativas frustradas com compras virtuais não estão entre os casos mais graves de golpes, fraudes, trambiques e todos os substantivos similares que possam designar essa malandragem de enganar o outro em troca de vantagens. O mundo digital apenas ampliou as possibilidades dos “espertinhos” que querem ganhar dinheiro de forma desonesta.
Pois bem, entre falcatruas, artimanhas e enganações vive o homem médio – aquele que só quer viver em paz e equilíbrio com a família, o trabalho, o lazer e seus sonhos pessoais. A cada momento, uma sujeição a algo errôneo. Isso, é claro, se não forem eles mesmos os errados…
Nem os aposentados e pensionistas escaparam: há fraudes até no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), onde os golpistas faziam descontos indevidos nos benefícios recebidos por essas pessoas.
Ganhou fama também o “golpe do falso advogado”, no qual os meliantes se passavam por profissionais reais, dizendo que a causa havia sido ganha e que era necessário um pagamento de entrada para liberar o valor total. Muitos litigantes caíram nessa conversa – haja prejuízo para os honestos! É impressionante como as pessoas fraudulentas são audaciosas: descobrem todos os dados – do processo, dos advogados e até dos clientes.
Quanto aos trambiques, há sempre o potencial de vivê-los a qualquer tempo: o sujeito que não cumpre o dever de pagar o dinheiro emprestado, o livro comprado e que nunca chega…Trapacear e enganar! Que feio!
A lição que se tira aqui é que estamos sujeitos a golpes, fraudes e trambiques o tempo todo. A dica é termos cautela e desconfiar do que parece duvidoso – principalmente nos meios digitais. Flora aprendeu a lição: no mundo dos cliques fáceis, a ingenuidade custa caro.
Outra conclusão, muito óbvia, é que precisamos evoluir. Afinal, cada tentativa de golpe deve ser punida, pois, do contrário, ficamos com a impressão de viver em um país sem leis.
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