
As escolas estaduais que funcionam em tempo integral tiveram desempenho melhor que as unidades de jornada parcial no Ensino Médio da Paraíba, segundo dados do Ideb 2025 analisados pelo Instituto Sonho Grande em parceria com o Instituto Natura.
No recorte utilizado pelo levantamento, as Escolas Cidadãs Integrais (ECIs) e as Escolas Cidadãs Integrais Técnicas (ECITs) alcançaram Ideb de 4,6. Entre as escolas que não oferecem jornada ampliada, o índice ficou em 3,9 — uma diferença de 0,7 ponto.
O resultado também se repetiu nas avaliações de aprendizagem aplicadas pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Os alunos das escolas integrais obtiveram média de 281 pontos em Língua Portuguesa e 273 em Matemática. Nas unidades de tempo parcial, as médias foram de 266 e 257 pontos, respectivamente.
Diferença equivale a três anos de aprendizagem
A distância entre os resultados de proficiência foi convertida pelo estudo em uma estimativa de aproximadamente três anos adicionais de aprendizagem no Ensino Médio. O cálculo leva em conta o avanço médio esperado para um estudante durante um ano nessa etapa escolar.
A comparação não significa que os alunos tenham permanecido três anos a mais na escola. Trata-se de uma equivalência estatística elaborada a partir da diferença de desempenho nas avaliações.
Escolas integrais ficam acima da média estadual
O desempenho das unidades com jornada ampliada também superou o resultado geral da rede estadual. O Ideb do Ensino Médio da Paraíba foi de 4,2 em 2025, abaixo do índice registrado pelas escolas que mantêm todas as turmas em tempo integral.
Das 420 escolas estaduais de Ensino Médio com dados disponíveis no Ideb, 240 foram incluídas no grupo de unidades com oferta integral. Para fazer a comparação, o levantamento considerou escolas urbanas que:
A expansão do modelo fez com que, atualmente, metade das matrículas do Ensino Médio da rede estadual paraibana esteja concentrada em escolas de tempo integral, conforme os dados do Censo Escolar.
Abandono é menor entre estudantes do tempo integral
A permanência dos alunos também foi um dos pontos de destaque. Nas escolas que funcionam totalmente em tempo integral, a taxa de abandono escolar foi 65% menor do que a registrada nas unidades de jornada parcial.
O indicador considera os estudantes que deixam de frequentar a escola antes do encerramento do ano letivo. Assim, os dados apontam que as escolas integrais apresentaram vantagem não apenas nos resultados de Português e Matemática, mas também na capacidade de manter os jovens matriculados.
Os responsáveis pelo levantamento ressaltam, contudo, que a comparação identifica uma associação entre os modelos de ensino e os indicadores analisados. Os números, por si só, não estabelecem que a ampliação da jornada seja o único fator responsável pelas diferenças.
Como funciona o Ensino Médio Integral
A proposta de ensino integral envolve mais do que aumentar o número de horas em sala de aula. O modelo combina a jornada ampliada com atividades voltadas à formação acadêmica, ao planejamento do futuro e ao desenvolvimento pessoal dos estudantes.
Entre as práticas adotadas estão tutoria, acolhimento, orientação de estudos, projeto de vida, protagonismo juvenil, atividades práticas e disciplinas eletivas. Essas ações são realizadas junto aos conteúdos previstos pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Na rede estadual da Paraíba, o modelo é desenvolvido principalmente pelas ECIs e ECITs. As escolas técnicas também oferecem formação profissional aos estudantes, além do currículo regular.
Em âmbito nacional, o Ensino Médio Integral está presente em mais de 6 mil escolas e atende aproximadamente 1,1 milhão de alunos, segundo o Instituto Sonho Grande e o Instituto Natura.
da Redação