
A vice-presidente Delcy Rodríguez tomou posse nesta segunda-feira (5) como presidente interina da Venezuela, após a prisão do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no sábado (3). O juramento ocorreu diante da Assembleia Nacional, após indicação do Supremo Tribunal de Justiça do país.
A decisão do Supremo estabelece um mandato interino de 90 dias, com possibilidade de renovação, e foi reconhecida oficialmente pela Assembleia Nacional e pelas Forças Armadas venezuelanas. Em seu pronunciamento, Delcy afirmou assumir o cargo em um momento de crise institucional e cobrou a libertação imediata de Nicolás Maduro, a quem voltou a reconhecer como presidente eleito do país.
A prisão de Maduro ocorreu durante uma operação anunciada pelos Estados Unidos como parte de uma ofensiva política e militar contra o governo venezuelano. Horas depois, o presidente norte-americano Donald Trump declarou que Washington pretende administrar a Venezuela até que seja concluído um processo de transição de poder, afirmação que provocou reações divergentes na comunidade internacional.
Com a posse, Delcy Rodríguez tornou-se a primeira mulher a chefiar o Executivo venezuelano. Advogada formada pela Universidade Central da Venezuela, ela é um dos quadros mais antigos e influentes do chavismo. Ao longo da carreira, ocupou cargos estratégicos como ministra da Comunicação, ministra das Relações Exteriores, presidente da Assembleia Nacional Constituinte e, mais recentemente, ministra da Economia e presidente da estatal petrolífera PDVSA.
Indicada por Maduro à vice-presidência em 2018, Delcy construiu trajetória marcada pela fidelidade ao projeto bolivariano. Ela é irmã de Jorge Rodríguez, atual presidente da Assembleia Nacional e um dos principais articuladores políticos do chavismo.
Filha de um militante marxista morto durante o regime do Pacto de Punto Fijo, Delcy carrega uma formação política profundamente ligada à esquerda venezuelana. Possui pós-graduação em Direito Social pela Universidade de Paris e mestrado em Política Social pela Universidade de Birkbeck, em Londres, sendo considerada por aliados e analistas como um dos nomes mais preparados do atual sistema político venezuelano.
Desde que assumiu interinamente o comando do país, Delcy passou a ser alvo direto de pressões do governo dos Estados Unidos. Trump chegou a ameaçá-la publicamente, condicionando sua permanência à abertura total do setor petrolífero venezuelano. Em resposta, a presidente interina afirmou que a Venezuela “jamais voltará a ser colônia de qualquer império”.
da Redação