
A discussão acerca da extinção da jornada de trabalho 6×1 consolidou-se como um dos temas centrais da agenda nacional, ganhando urgência com a proximidade da votação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Hugo Motta, reforçou recentemente em audiência na Assembleia Legislativa da Paraíba o compromisso de levar a matéria a plenário ainda neste mês de maio. De um lado, observa-se um consenso sobre os benefícios humanos de uma transição para o modelo 5×2, que promete reduzir o estresse e doenças ocupacionais, além de fomentar a convivência familiar, a qualificação profissional e o consumo em setores como turismo e gastronomia.
Entretanto, o setor produtivo levanta um questionamento pragmático sobre o financiamento dessa mudança. No I Fórum do Farol de Desenvolvimento da Paraíba, lideranças empresariais expressaram preocupação com os impactos que consideram avassaladores para a economia local. O presidente da entidade, José Carneiro, alertou que a ausência de um estudo profundo coloca em risco grande parte da produção do estado, apontando que o aumento nos custos operacionais e na folha de pagamento pode forçar demissões ou a aceleração da automação para compensar a perda de produtividade.
O diagnóstico apresentado pelo setor produtivo detalha um cenário de pressão financeira em diversos segmentos. Na área de serviços, estima-se um aumento de até 25% na folha de pagamento, o que poderia inviabilizar operações que funcionam 24 horas por dia e gerar um efeito inflacionário em toda a cadeia. No comércio e varejo, que opera com margens de lucro estreitas, o custo adicional de até 20% ameaça empurrar micro e pequenas empresas para a informalidade. Já na construção civil, o aumento projetado nos custos de obra pode causar um impacto imediato no CUB-PB, com potencial para paralisar o mercado imobiliário da capital. Até mesmo a agroindústria enfrentaria dificuldades pela necessidade de criar turnos adicionais para respeitar ciclos biológicos de produção, perdendo competitividade externa.
Empresários do setor de construção civil, como José William Montenegro Leal, defendem que a flexibilização deve ocorrer por meio do diálogo e não por imposição legislativa. Ele ressalta que muitos canteiros já adotam o modelo 5×2 por meio de acordos diretos e teme que a proibição de jornadas alternativas cause colapsos em áreas que demandam funcionamento ininterrupto, como o comércio, onde as compensações são atualmente intermediadas por sindicatos. O cenário revela um impasse delicado, no qual a busca por justiça social colide com o temor de um desequilíbrio socioeconômico que pode afetar a empregabilidade e o progresso do estado se não for conduzido com cautela técnica.
da Redação
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