
A decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de apostar em seu filho mais velho, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para disputar a próxima eleição presidencial, em outubro, contrariou a lógica política da época, e os custos dessa escolha já estavam colocados desde o princípio. “A direita armou, criou uma armadilha para si mesma”, afirma o cientista político Fernando Schüler.
Durante debate no programa Canal Livre, da Band, os analistas destacaram que o raciocínio político tradicional apontava para o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) como o candidato ideal, mas o ex-presidente optou pelo chamado “familismo”, ou seja, a vontade de manter o seu próprio sangue e sobrenome como representantes na disputa.
Segundo os especialistas, Tarcísio representava o grande medo da campanha do PT: um candidato de direita que, embora fosse apoiado por Bolsonaro, tinha a capacidade de dialogar com o centro político. No Brasil, são os 6% a 8% dos eleitores de fora do voto cristalizado que decidem a eleição. Com a saída de Tarcísio do páreo, esse risco desapareceu para o Governo.
Atualmente, mesmo com os desgastes e denúncias envolvendo Flávio, a direita se encontra sem alternativas viáveis para substituí-lo. Diante desse cenário, sem um substituto forte, o eleitor bolsonarista, que é altamente fiel e movido pelo sentimento anti-PT, só abandonaria Flávio se ele demonstrasse estar muito perdido politicamente e passasse por uma grande “sangria”.
“Para o Flávio não ser um nome competitivo, pelo que a gente entende dos estudos do bolsonarismo, ele tem que sangrar muito. O que eu tenho percebido nos estudos, pelo menos desde 2014 que a gente estuda isso, é que o eleitor bolsonarista é muito fiel. Flávio tem que demonstrar muita fragilidade para o eleitor entender que ele não é mais um nome competitivo”, afirmou a cientista política Deysi Cioccari.
Ironicamente, a campanha de Lula (PT) comemora essa limitação da direita e prefere ter Flávio como adversário. A orientação do atual governo tem sido a de “bater no Flávio, mas não muito”. O próprio presidente Lula chegou a minimizar os áudios recentes de Flávio, tratando o caso como “coisa de polícia”, pois, politicamente, não interessa ao Governo que Flávio seja retirado do jogo eleitoral neste momento.
com Band.com.br