
Entre junho de 2025 e maio de 2026, o mercado imobiliário de João Pessoa e Cabedelo comercializou 5.417 imóveis, uma média de 14 negócios fechados por dia, ao longo de um ano. Os dados são do mais recente Índice Creci 360º e do Anuário Índice Creci 360º 2025, do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Paraíba (Creci-PB), que acompanham exclusivamente o mercado primário, formado por imóveis novos de construtoras e incorporadoras.
O debate recente sobre o volume de imóveis disponíveis na região tem deixado de fora o indicador que mede a demanda: a taxa de conversão. A Velocidade de Vendas sobre Oferta (VSO) calcula quanto de tudo o que está à venda vira negócio a cada mês. No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 6,05% na região, ou seja, a cada 100 imóveis ofertados, seis encontram comprador por mês, de forma sustentada ao longo de um ano inteiro. Em João Pessoa, o índice chega a 6,29%; em Cabedelo, a 5,3%. Para efeito de comparação, o número de imóveis vendidos nesses doze meses foi maior do que o total que estava à venda na região quando o período começou, em junho de 2025, sinal de que o mercado renovou o estoque e o superou.
O ritmo se manteve em 2026. Nos cinco primeiros meses do ano, os dois municípios registraram 2.164 unidades vendidas e R$ 1,61 bilhão em Valor Global de Vendas (VGV), a preços de maio de 2026, média de 432,8 imóveis por mês. Em maio, foram monitoradas 170 construtoras, 377 empreendimentos e 7.613 unidades imobiliárias nos dois municípios.
O estoque de imóveis já entregues, categoria historicamente apontada como a de maior risco, foi justamente a de maior giro. Em maio deste ano, a VSO dos imóveis prontos alcançou 7,97%, quase o dobro da média do mercado e mais que o dobro dos 3,01% das unidades em construção. O conjunto recuou de 866 para 797 unidades no mês, queda de 8%. Em Cabedelo, o índice das unidades prontas chegou a 9,71%.
Segundo o levantamento, 77,1% de tudo o que foi vendido na região em maio envolveu imóveis ainda não concluídos, proporção que chega a 80,46% em João Pessoa. E a demanda se distribui pelo território. As vendas na capital foram registradas em 21 bairros diferentes, do Altiplano Cabo Branco e Bessa a Bancários, Cidade dos Colibris e Mangabeira. Cabedelo ampliou sua fatia no mercado regional, passando a responder por 24,1% do valor negociado na região em 2026, contra 20,1% no mesmo período de 2025.
As construtoras sentem esse reflexo do mercado. Para Alysson Rocha, diretor da A2R2, que atua na região de Cabedelo, o tamanho da oferta só ganha significado quando lido junto com a velocidade de conversão. “Oferta grande e demanda fraca são coisas diferentes. O que mede demanda é quanto do que está à venda vira negócio por mês, e esse número se manteve acima de 6% ao longo de um ano inteiro. Há produto disponível na região porque há gente comprando, e não o contrário”, declarou.
Segundo ele, o comportamento das unidades prontas é o dado mais revelador. “Existe a ideia de que imóvel entregue é imóvel que sobrou. Na Grande João Pessoa, ele é o que sai mais rápido, vendeu ao dobro da média do mercado em maio, e o estoque dessa categoria encolheu 8% em trinta dias. São 14 famílias fechando negócio por dia, todos os dias, nas duas cidades”, complementou a análise.
O Índice Creci 360º é desenvolvido pelo Creci-PB em cooperação técnica com Órulo e SARU, e reúne mensalmente informações sobre vendas, lançamentos, preços e comportamento do mercado imobiliário em João Pessoa e Cabedelo.
Assessoria Creci-PB