Cícero Lucena promete cancelar PPP da Cagepa e critica gestão estadual em sabatina no Sistema Arapuan

Em sabatina concedida ao Sistema Arapuan de Comunicação nesta quinta-feira (23), o ex-prefeito de João Pessoa e pré-candidato ao Governo da Paraíba, Cícero Lucena (MDB), apresentou as diretrizes da sua plataforma eleitoral. Na entrevista, o emedebista defendeu a interiorização dos serviços públicos, questionou a saúde financeira do Governo do Estado e anunciou a decisão de revogar a parceria público-privada (PPP) da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) caso seja eleito nas eleições estaduais.

No campo do saneamento e da gestão hídrica, o postulante ao Palácio do Redenção criticou o modelo de concessão adotado pela atual gestão para os serviços de água e esgoto em 81 municípios paraibanos. O pré-candidato assegurou que cancelará o contrato e apontou falta de transparência no processo, além de antever impacto financeiro direto aos consumidores.

“Com certeza, claro que nós vamos cancelar isso. Se isso era bom para os 81 municípios, por que ninguém desses municípios foi ouvido? Por que ninguém foi comunicado quais os benefícios que trazia esse trabalho?”, questionou o emedebista, afirmando que a medida trará reajuste na cobrança dos serviços. “Vai doer no bolso do povo e o povo tem o direito de saber disso”, complementou.

Cícero também apontou a Cagepa como responsável por deficiências no descarte de efluentes tratados em João Pessoa, rebatendo tentativas de vincular o problema à administração municipal. “Recebi denúncias de que as lagoas de Mangabeira de tratamento de resíduos estão tendo parte do material depositada no rio, contaminando o mar. Quem é o responsável é o Governo do Estado, com a Cagepa. Qualquer problema de esgoto na cidade de João Pessoa ou no estado da Paraíba é responsabilidade da Cagepa”, declarou, prometendo sanar o lançamento de dejetos nas praias do litoral paraibano.

Na área da saúde pública, a proposta defendida pelo ex-gestor foca na ampliação de unidades regionais e maternidades para reduzir o deslocamento de pacientes. O pré-candidato apontou distorções no sistema e criticou o uso político na distribuição do atendimento. “Nós precisamos descentralizar, nós temos que fazer uma saúde mais perto de casa. É inadmissível a gente não ampliar o número de maternidades descentralizando. Tem muitas regionais que são entregues a gestores políticos, que em vez de atender pelo cartão SUS, atende pelo título de eleitor”, acusou.

As propostas para a educação preveem o alinhamento do sistema estadual ao modelo aplicado em João Pessoa, com foco na capacitação do magistério e na criação de uma bolsa de permanência para os estudantes. “A gente qualifica os professores, que é mais um profissional que a gente tem que respeitar. Eu, governador, vou atender a todos os alunos da rede estadual com o Pé-de-Meia”, disse Cícero, ao propor a extensão estadual do programa.

Ao detalhar as metas para a segurança pública, o pré-candidato enfatizou o reequipamento das forças policiais alinhado à recomposição salarial de policiais militares, civis e penais. “Esses equipamentos podem estar ligados, mas se não tiver gente para operar, ele não vai fazer nada. É uma política para reconhecer o cidadão que sai de casa e não sabe se vai voltar. A Paraíba vai ter o melhor salário dos policiais do Nordeste”, assegurou.

O emedebista comentou ainda os desdobramentos da Operação Território Livre, que investigou suposta interferência de grupos criminosos na administração municipal durante o pleito de 2024. Cícero declarou que a gestão exige certidões negativas para a nomeação de servidores e descartou preocupações sobre o uso do tema pela oposição. “Não temo, porque nós não devemos nada. A prova é que já fazem dois anos da eleição passada e estamos provando toda a nossa inocência sobre isso. Quem tem o dever de verificar se a pessoa é do tráfico ou não é a polícia”, pontuou, ressaltando que a identificação e prisão de criminosos dentro ou fora da máquina pública será atribuição contínua da polícia.

Ainda na sabatina, o pré-candidato colocou a própria experiência administrativa à frente do Poder Executivo da Capital e do Estado como o principal trunfo da postulação. Ele cobrou esclarecimentos sobre a aplicação dos recursos estaduais ao citar relatos de atrasos no repasse a fornecedores e prestadores de serviço do transporte escolar no Sertão e a produtores do Cariri. “Cadê os R$ 4 bilhões? O governo dizia que tinha esse dinheiro em caixa. Então, ou estava mentindo ou existe incompetência para administrar os recursos. Eu tenho experiência de vida para enfrentar isso”, concluiu.

da Redação

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