Policial

Polícia ouve quatro mulheres em investigação contra médico suspeito de abuso em Caaporã

Quatro mulheres denunciaram à Polícia Civil um médico suspeito de praticar abusos sexuais durante consultas em Caaporã, no Litoral Sul da Paraíba. Duas prestaram depoimento na quarta-feira (4) e outras duas foram ouvidas na quinta-feira (5).

O delegado Túlio Lustosa Cantarelli, responsável pela investigação, informou que outras mulheres podem procurar a delegacia nos próximos dias. Uma delas já tem depoimento marcado para segunda-feira (9). A polícia calcula que pelo menos mais duas ou três possíveis vítimas ainda possam relatar situações semelhantes.

A Justiça manteve a prisão preventiva do médico após audiência de custódia realizada na quinta-feira (5). Ele havia sido preso em flagrante na tarde do dia anterior e continua detido enquanto as apurações prosseguem. A identidade do profissional não foi divulgada.

Uma das mulheres ouvidas na quinta-feira entregou à polícia gravações de áudio feitas durante consultas. O material ainda será analisado. “Ela chegou a voltar em outras vezes na consulta porque precisava ser atendida pelo médico e gravou um áudio. Ela cedeu vários áudios para a gente, mas esses áudios ainda vão ser analisados”, disse o delegado.

Início da investigação

A apuração começou depois que uma paciente de 20 anos procurou a polícia e relatou uma conduta sexual inadequada durante consulta realizada na manhã de quarta-feira. O médico atendia em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) na zona rural de Caaporã.

Segundo o relato da jovem, o profissional teria usado procedimentos clínicos como justificativa para fazer toques e manipulações íntimas sem finalidade médica, além de perguntas de cunho sexual. Após a denúncia, policiais foram à unidade e identificaram outros relatos relacionados ao comportamento do médico.

Uma paciente de 44 anos também procurou a delegacia e contou ter passado por situações semelhantes em uma consulta anterior no mesmo local. Funcionários da UBS foram ouvidos e relataram comportamentos que consideraram inadequados e situações de constrangimento atribuídas ao suspeito.

Em depoimento, o médico afirmou que os contatos tiveram finalidade exclusivamente diagnóstica e assistencial. A Polícia Civil solicitou exames periciais ao Instituto de Polícia Científica (IPC), por meio do Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (NUMOL), e pediu as imagens do sistema de monitoramento interno da unidade.

Afastamento e apuração no CRM

A Prefeitura de Caaporã informou na quinta-feira (5) que pediu o afastamento cautelar do médico. Em nota, a gestão declarou que a medida é preventiva e que solicitou à empresa responsável pela contratação do profissional que providencie um substituto.

O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) abriu uma sindicância para apurar se houve infração ao Código de Ética Médica. Instaurado na quarta-feira (4), o procedimento prevê a reunião de documentos e a análise dos relatos para verificar a existência de indícios de autoria e materialidade.

Se for aberto um processo ético-profissional, segundo o CRM-PB, serão garantidos ao médico o contraditório e a ampla defesa. Poderão ser ouvidos o profissional, as pacientes e testemunhas.

da Redação

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