
O julgamento que pode definir o retorno de Edvaldo Neto (Avante) à Prefeitura de Cabedelo passou a contar com um novo desdobramento no Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB). O desembargador Leandro dos Santos informou, durante a sessão, que não participará da análise do recurso por ter se declarado suspeito.
A decisão foi registrada após o magistrado levantar uma questão de ordem. Ele não apresentou, no entanto, os motivos que o levaram a se afastar do caso.
O processo não trata apenas da situação de Edvaldo Neto. Também estão em análise recursos apresentados por Rougger Guerra, que foi secretário de Gestão Governamental de João Pessoa; Luciano Junior da Silva, proprietário do grupo Lemon; Aldecir Monteiro da Silva, sócio de Luciano; e Diego Carvalho Martins, ex-procurador-geral do município.
A possibilidade de retorno do prefeito ao cargo está relacionada ao afastamento determinado no curso da Operação Cítrico, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de fraude em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e eventual financiamento de organização criminosa.
De acordo com a apuração, empresas contratadas para fornecer mão de obra à administração municipal teriam sido utilizadas em um esquema ligado à facção “Tropa do Amigão”, apontada como braço do “Comando Vermelho”. A suspeita é de que integrantes do grupo tenham sido inseridos em estruturas da Prefeitura de Cabedelo.
A investigação também apura a circulação de recursos públicos em favor da organização criminosa e o uso de contratos administrativos para preservar influência política, controle territorial e proteção institucional.
Segundo a Polícia Federal, o caso envolveria integrantes da cúpula política do município, empresários e membros da facção. O grupo teria atuado para manter contratos de alto valor e repartir vantagens ilícitas. O montante sob suspeita pode chegar a R$ 270 milhões.
da Redação




