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Denúncias de violência contra crianças aumentam em João Pessoa e casos de violência sexual crescem na Paraíba

O número de denúncias de violência contra menores cresceu de forma preocupante em João Pessoa em 2025. Até o dia 21 de outubro, os Conselhos Tutelares da Capital registraram 435 ocorrências – o que já representa 92 casos a mais que todo o volume registrado no ano passado. Os dados são do Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia), base nacional utilizada pelos conselheiros tutelares.

Embora tenha havido redução em relatos de agressões físicas e psicológicas, os crimes de violência sexual apresentaram crescimento expressivo no estado. Segundo o levantamento, os casos de aliciamento aumentaram 50% em relação a 2024, enquanto as denúncias de estupro de vulnerável subiram 8,3%. No total, a Paraíba contabiliza 632 registros em 2025, número ainda abaixo dos 711 casos registrados no ano anterior.

Os dados reforçam o cenário apontado pelo Atlas da Violência 2025, do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), segundo o qual a maioria das agressões acontece dentro de casa. O estudo mostra que 67,8% das vítimas com até quatro anos, 65,9% das que têm entre cinco e 14 anos e 48,4% dos adolescentes entre 15 e 19 anos sofreram violência doméstica.

Mobilização social e legislação
Especialistas lembram que o aumento das notificações pode ter dupla interpretação: além de apontar o agravamento da violência, também pode refletir maior conscientização da população e confiança nos canais de denúncia, impulsionada por campanhas de enfrentamento.

Em 2025, o combate aos crimes contra menores ganhou reforço com a criação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), instituído pela Lei Federal nº 15.211/2025, conhecida como Lei Felca. Inspirada em uma denúncia feita pelo influenciador Felipe “Felca” Bressanim, a legislação busca coibir a “adultização” precoce de crianças nas redes sociais e proteger o público infantojuvenil no ambiente digital.

Como denunciar
Casos de violência podem ser denunciados de forma anônima e sigilosa ao Conselho Tutelar, à Polícia Civil, ao Ministério Público, às Varas da Infância ou pelo Disque 100, canal nacional de proteção aos direitos humanos.

O crescimento das notificações revela uma realidade ainda desafiadora, mas também aponta para uma sociedade mais vigilante e disposta a romper o silêncio em defesa da infância.

da Redação

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