Política

Abaixo-assinado por checagem de fatos em debate da Globo supera 720 mil assinaturas

O abaixo-assinado que pede à TV Globo a realização de checagem de fatos em tempo real durante o último debate presidencial do segundo turno já reúne mais de 720 mil assinaturas. A iniciativa foi criada por Rafael Brito na plataforma Change.org.

O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) está marcado para sexta-feira (23). Os apoiadores querem que a emissora disponibilize uma equipe especializada para verificar as declarações dos candidatos e esclarecer, durante a transmissão, eventuais informações falsas.

A mobilização começou na segunda-feira (19), após o debate promovido pela Band no domingo (18). Na ocasião, os candidatos trocaram acusações e fizeram afirmações que foram posteriormente contestadas por agências e serviços de checagem.

Entre os destinatários da petição estão o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente da Globo, João Roberto Marinho, o diretor-geral de Jornalismo da emissora, Ricardo Villela, e o jornalista César Tralli, que será responsável pela mediação do debate.

Na justificativa do pedido, Rafael Brito afirma que os debates precisam oferecer aos eleitores condições para avaliar a veracidade das informações apresentadas pelos candidatos. Ele também cobra maior responsabilidade editorial das emissoras diante da disseminação de desinformação.

“A imprensa não pode se limitar a oferecer microfones. Precisa assumir sua responsabilidade com a verdade”, escreveu o organizador.

Brito citou ainda os debates presidenciais dos Estados Unidos em 2016, quando redes de televisão adotaram a verificação simultânea de declarações. Segundo ele, a medida poderia ajudar os eleitores a identificar informações incorretas durante o confronto entre os candidatos.

“A verdade não pode ser relativizada dentro de um veículo de imprensa. Uma mentira não pode receber o mesmo tratamento que um fato comprovado. A imprensa é guardiã da democracia e deve ser responsável. O povo brasileiro tem direito a eleições limpas, transparentes e livres da manipulação informacional”, concluiu.

No debate da Band, Lula e Flávio Bolsonaro discutiram temas como corrupção, economia e segurança pública, além de protagonizarem ataques pessoais. As agências de checagem acompanharam o encontro por iniciativa própria e publicaram, posteriormente, análises sobre declarações consideradas incorretas.

Entre os trechos contestados está a afirmação de Flávio de que Lula e a primeira-dama Janja teriam gastado R$ 7 bilhões em viagens. O valor, conforme as checagens, corresponde a despesas de diferentes órgãos do governo federal.

Lula também foi corrigido ao afirmar que a economia brasileira só havia voltado a crescer acima de 3% depois de seu retorno à Presidência, em 2023. O Produto Interno Bruto (PIB) também superou esse percentual durante os governos de Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro.

da Redação

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