Mulher relata medo e controle constante durante relacionamento com empresário em João Pessoa

A mulher que denunciou o empresário Alysson Campelo Catuhyte Wanderlei por violência doméstica afirmou que passou a viver sob medo e controle durante o relacionamento. Segundo ela, a mudança no comportamento do companheiro foi percebida depois que os dois começaram a morar juntos.

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Segundo a vítima, o início da relação era marcado por uma convivência que ela considerava positiva. Com o tempo, porém, o empresário teria passado a demonstrar comportamento agressivo e controlador.

“O meu início com ele foi a melhor relação da minha vida, de poucas que eu já tive. Ele era uma pessoa maravilhosa, engraçada. Quando eu moro com ele, eu começo a entender que ele não era aquilo. Começa a aparecer aquele cara extremamente estressado. Era o que ele trazia pra mim. Comecei a acreditar que não era uma violência verbal”, relatou.

Ela contou que deixou de manter contato com amigas e passou a evitar conversar com a própria mãe. A mulher também afirmou que a rotina dentro da residência era acompanhada por câmeras e que havia restrições sobre os lugares que frequentava e as pessoas com quem podia falar.

“Eu perdi minhas amigas e eu comecei a entender: não era pra eu ligar pra minha mãe, ele não gostava. Minha casa era monitorada em todos os aspectos e eu não podia ter acesso às câmeras. Ele estava vendo o dia todo onde eu estava. Eu não saía de casa porque até no trinco tinha monitoramento. Ele mandava em tudo. Ele condicionava tudo”, disse.

De acordo com a vítima, as situações vividas fizeram com que ela assumisse a culpa pelo que acontecia e afetaram sua saúde mental.

“Comecei a colocar condições, em mim, de culpa. Hoje eu me vejo como culpada, sei que não é. Tinham muitas falas que eu, por amar, por não querer que a família acabasse, terminava aceitando e o medo está me adoecendo por dentro”, afirmou.

A mulher disse que não havia procurado a polícia anteriormente porque não reconhecia as situações como violência doméstica. Após a denúncia, ela recebeu uma medida protetiva de urgência.

“Eu nunca cheguei a fazer um boletim de ocorrência. Eu não assumia nada. Graças a Deus não aconteceu o pior comigo. A partir de hoje preciso ter força. Preciso pedir e ter essa proteção. Eu apelo ter segurança na minha vida”, declarou.

A vítima também descreveu a realização da perícia como parte do processo de reconhecer o que estava vivendo e tentar recomeçar.

“Dói porque eu olhava pra uma pessoa que eu amei. E, de repente, vendo aquela cena, eu não acreditava que estava vivendo aquilo. Eu não acreditava que eu estava fazendo uma perícia. Hoje eu enxergo que foi isso que me deu um novo recomeço. Por mais empoderada em algum momento da vida que eu fui, nesse momento eu caí, mas hoje seria um recomeço para eu entender que mulher precisa ter o lugar dela”, finalizou.

A Polícia Civil informou que investiga o caso e reforçou a importância de denunciar episódios de violência doméstica. A defesa do empresário declarou que respeita o Poder Judiciário e as instituições do sistema de Justiça, e que continuará utilizando os recursos legais para assegurar o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal.

da Redação

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