Romeu Zema propõe prêmio de R$ 5 mil para saída do Bolsa Família e acena a Efraim Filho em agenda na Paraíba

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), cumpriu agenda política na Paraíba neste domingo (21), onde apresentou uma proposta de combate ao que chamou de “política paternalista” e indicou um provável alinhamento local para as eleições de 2026. Em passagens por Campina Grande e João Pessoa, o presidenciável defendeu o pagamento de um prêmio de R$ 5 mil para beneficiários que conquistarem independência financeira e deixarem voluntariamente o Bolsa Família.

A declaração foi dada durante visita matutina à Vila do Artesão, em Campina Grande, onde Zema foi recebido pelo prefeito em exercício, Alcindor Villarim (Podemos), e por apoiadores do Novo. Ao lado do ex-deputado federal Major Fábio (Novo), pré-candidato ao Senado, o ex-governador mineiro criticou a “eterna dependência” gerada por programas sociais federais e apontou o empreendedorismo como solução econômica, citando o Polo de Confecções do Agreste como exemplo de autonomia liderado por mulheres. Na ocasião, ele minimizou os índices do recente levantamento Datafolha, que o aponta com 2% das intenções de voto no primeiro turno, contra 41% de Luiz Inácio Lula da Silva e 31% do senador Flávio Bolsonaro.

Questionado sobre o cenário eleitoral da Paraíba, Zema sinalizou que pode apoiar a postulação do senador Efraim Filho (PL) ao Governo do Estado, condicionando o arranjo ao enfrentamento ideológico. “Se ele estiver contra o PT, tem o meu apoio sim”, declarou. O aceno ocorre em meio ao racha na aliança entre o PL e o Novo em solo paraibano, uma vez que os liberais articulam uma chapa majoritária apenas com o ex-ministro Marcelo Queiroga ao Senado, enquanto o Novo lançará chapa própria com o Major Fábio para o mesmo cargo. Diante do impasse, o mineiro declarou que seu foco principal é dialogar diretamente com o eleitor e que sua trajetória buscará repetir o fenômeno de 2018, quando venceu em Minas Gerais sem alianças tradicionais estruturadas.

No campo das promessas de infraestrutura nacional, o presidenciável comprometeu-se a concluir as obras da Ferrovia Transnordestina e a expandir os canais de irrigação derivados da Transposição do Rio São Francisco, atendendo a pleitos defendidos pela Federação das Indústrias da Paraíba (FIEPB). O político também buscou mitigar o desgaste provocado por uma antiga polêmica na região, tradicional reduto petista. Ele foi confrontado sobre uma entrevista dada em 2023 ao jornal O Estado de S. Paulo, na qual questionou a divisão de recursos públicos federais.

“Está sendo criado um fundo para o Nordeste, Centro-Oeste e Norte. Agora, e o Sul e o Sudeste não têm pobreza? Senão, você vai cair naquela história do produtor rural que começa só a dar um tratamento bom para as vaquinhas que produzem pouco e deixa de lado as que estão produzindo muito. Daqui a pouco, as que produzem muito vão começar a reclamar o mesmo tratamento”, afirmou na época, em fala que gerou forte repercussão negativa ao associar as regiões a “vaquinhas magras”.

Na ocasião, o Consórcio Nordeste rebateu as declarações de Zema em duas oportunidades, emitindo uma nota oficial que criticava qualquer tipo de “lampejo separatista”, frisando que “enquanto Norte e Nordeste apostam no fortalecimento do projeto de um Brasil democrático, inclusivo e, portanto, de união e reconstrução, a referida entrevista parece aprofundar a lógica de um país subalterno, dividido e desigual”.

Neste domingo, contudo, o ex-governador alegou que sua fala foi distorcida por opositores e que a criação do Consórcio Sul-Sudeste nunca teve viés de rivalidade regional.

A agenda foi encerrada em João Pessoa, onde o pré-candidato participou de um almoço com lideranças empresariais no Bairro dos Estados, concedeu entrevista coletiva e proferiu uma palestra para cerca de 100 convidados, além de visitar uma plataforma digital de educação.

Em tom descontraído durante o café da manhã em Campina Grande, Zema ainda quebrou o protocolo político ao elogiar a culinária regional, comparando a tradicional tripa de porco ao torresmo mineiro e validando a qualidade do queijo de coalho e de cabra paraibanos em relação às variedades produzidas em seu estado natal.

da Redação

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