
A apuração preliminar dos votos na Colômbia aponta que o advogado e empresário Abelardo de la Espriella venceu a eleição presidencial do país por uma margem apertada neste domingo (21).
Segundo os dados do chamado “preconteo” divulgados pelas autoridades eleitorais do país, De la Espriella superou o senador Iván Cepeda por menos de 250 mil votos.
A última atualização aponta 12.949.162 votos para Espriella, candidato da direita apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e 12.701.546 para o esquerdista Cepeda, aliado do atual presidente colombiano, Gustavo Petro.
Na eleição colombiana, a apuração tem duas etapas. A primeira é o chamado “preconteo”, uma contagem preliminar feita a partir das atas dos locais de votação usada para projetar o resultado. Mas, segundo a legislação do país, o resultado oficial só é proclamado após o “escrutínio”, processo em que juízes e outras autoridades revisam as atas para corrigir eventuais inconsistências.
A contagem definitiva deve ocorrer nesta segunda-feira (22). Nas redes sociais, o presidente Gustavo Petro afirmou na noite de domingo que nenhum resultado deve ser considerado oficial até a conclusão do escrutínio.
“Não se pode proclamar nenhum presidente. É o escrutínio que determina quem é o presidente. Obedeço aos juízes. Tranquilidade aos cidadãos, por favor. A realidade nos mostra um país partido ao meio, e ingerência estrangeira nos tira a liberdade. Impõe-se um acordo nacional se queremos manter a pátria e a paz nos anos que estão por vir”, escreveu Petro.
A vitória do direitista De la Espriella representa uma guinada no país após o governo Petro, primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia.
A eleição se tornou uma “queda de braço” entre o atual presidente do país, Gustavo Petro, e o presidente dos EUA, Donald Trump. Cepeda era o candidato apoiado por Petro, enquanto o ultradireitista Espriella teve apoio declarado do líder norte-americano. Leia mais abaixo.
O resultado da eleição cimentaria a onda de governos da direita na América Latina. Isso porque Espriella pode se juntar a diversos países latino-americanos que elegeram governos direitistas nos últimos anos, como no Chile, com Jorge Kast, e a Bolívia, com Rodrigo Paz.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) disse que a votação a ocorreu de forma tranquila e sem maiores incidentes, e com espectadores internacionais, como representantes da OEA e da União Europeia.
Após polêmica no 1º turno, Petro afirmou neste domingo após votar que respeitará o resultado das eleições. Mesmo assim, o atual presidente fez diversos pedidos por uma mobilização da população para vigiar as atas eleitorais. Cepeda também falou que respeitará o veredito, porém falou em fazer uma “supervisão muito clara, rigorosa e minuciosa” da apuração.
Após o fim da votação, Espriella afirmou em vídeo nas redes sociais que quer ser lembrado como “o reconstrutor da pátria”.
Espriella, advogado de 47 anos e empresário sem experiência política, apresenta-se como um “salvador anti-establishment” e repete promessas de campanha de nomes da extrema direita da América Latina. Ele venceu o primeiro turno com propostas linha-dura para combater o crime organizado, cortar programas governamentais e impostos e revitalizar a exploração de petróleo. Ele também é cidadão naturalizado dos EUA, já viveu em Miami e é republicano registrado.
Admirador das políticas adotadas por Trump e pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, o candidato ultradireitista promete uma ofensiva militar e a construção de 10 megaprisões.
“No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, afirmou Espriella.
O discurso do candidato da direita foi o que mais ecoou no eleitorado no primeiro turno. Pesquisas de opinião vêm apontando a violência como o principal fator de preocupação entre colombianos, à frente da economia – fragilizada pela pandemia e pelo aumento do déficit fiscal, apesar de o atual governo aumentar o salário mínimo nominal em 75% e reduzir o desemprego.
Espriella culpa Petro pelos problemas econômicos e de segurança da Colômbia e prometeu reduzir o tamanho do Estado em 40%, ampliar a base tributária e cortar os impostos corporativos para promover o emprego no setor privado.
“A segurança foi a questão central desta campanha, que levou à vitória de De La Espriella no primeiro turno”, disse o analista político Eduardo Pizarro à Reuters.
Pizarro afirma que a percepção de insegurança aumentou nas cidades, incluindo preocupações com extorsão e pequenos delitos. Ao mesmo tempo, a expansão de grupos armados em áreas rurais afetou mais civis.
Cepeda havia liderado as pesquisas de intenção de voto antes do primeiro turno. Por isso, a vitória de Espriella na primeira rodada surpreendeu tanto que Petro chegou a contestar o resultado, posteriormente reconhecido por Iván Cepeda.
Temor de contestação e violência nas ruas
A contestação aumentou as tensões e alimentou temores de que o governo Petro reivindique os resultados no caso de uma vitória de Espriella. O Tribunal Eleitoral da Colômbia pediu neste domingo que todas as partes respeitem um resultado.
Autoridades temem que a contestação por uma das partes dos resultados incentivem protestos nas ruas e aumentem episódios de violência que ocorreram durante o processo eleitoral. No ano passado, o candidato da direita à presidência, Miguel Uribe, um dos favoritos em pesquisas de intenção de voto até então, foi assassinado durante um comício.
Direita na América Latina
A vitória de la Espriella confirma a onda que levou outros líderes de direita à vitória na América Latina conquistaria seu maior triunfo até agora, isolando governos de esquerda na região e redesenhando as alianças geopolíticas do continente.
O resultado respalda um movimento que tem, entre seus principais representantes, Nayib Bukele, em El Salvador, Javier Milei, na Argentina, e José Antonio Kast, no Chile.
com G1