
A escalada dos roubos e furtos rápidos no trânsito das grandes cidades levou motoristas de aplicativo a adotarem uma tática improvisada: a instalação de redes de proteção nas janelas laterais. O acessório permite rodar com os vidros totalmente abertos, impedindo que criminosos consigam colocar as mãos para dentro do veículo nas paradas de semáforo. No entanto, o que foi pensado como blindagem urbana pode se transformar em um bloqueio perigoso em situações de emergência.
A engenhosidade da medida chegou a agradar passageiros em capitais como São Paulo, que viram na iniciativa uma resposta inteligente contra as frequentes abordagens nos congestionamentos. O problema é que a física dos acidentes impõe outras prioridades, e técnicos em segurança viária apontam que a barreira física cria um cenário hostil para o resgate em caso de colisões graves.
Juridicamente, a adaptação caminha no limite da irregularidade. De acordo com o Conselho Nacional de Trânsito (Contran), qualquer barreira nas janelas dianteiras que comprometa a visibilidade dos espelhos retrovisores configura infração grave.
O maior perigo, contudo, reside na iminência de um incêndio ou capotamento. Se o impacto travar as portas do automóvel, as telas de proteção obstruem a única rota de fuga restante, impedindo que os ocupantes saiam ou que equipes de socorro externo consigam quebrar os vidros para retirá-los a tempo. Para evitar que a busca por proteção gere um risco fatal, analistas recomendam a substituição das redes por películas antivandalismo homologadas e a redução da exposição de celulares no painel do carro.
da Redação