Quatro décadas de história: Parque do Povo celebra 40 anos como o coração pulsante de Campina Grande

A Rainha da Borborema amanheceu em festa nesta quinta-feira (14). Um dos maiores símbolos da identidade paraibana, o Parque do Povo completa 40 anos de fundação, consolidado não apenas como o palco do “Maior São João do Mundo”, mas como um território onde a fé, a cultura e os afetos da comunidade se encontram. O popular “PP”, que nasceu do sonho de transformar um terreno rústico em um centro de convivência, é hoje um patrimônio que atravessa gerações.

A gênese do espaço remonta ao início da década de 1980. Onde hoje ecoam as sanfonas e as pregações religiosas, existia o sítio “Coqueiros de Zé Rodrigues”, uma área central nas proximidades do Açude Novo que ainda não conhecia a sua vocação grandiosa. Naquela época, os festejos juninos eram descentralizados, espalhados pelos bairros da cidade. O Parque do Povo surgiu como uma aposta estratégica de crescimento urbano e cultural, projetada para unificar a energia da festa em um só lugar.

O nascimento do “Forródromo” e a icônica Pirâmide
Antes das estruturas metálicas e dos camarotes modernos, o local abrigava o que os antigos frequentadores chamavam de “palhoção rústico”. Ali, artistas como Capilé davam os primeiros passos em apresentações improvisadas, sem imaginar que estavam pavimentando o caminho para um evento de repercussão internacional.

A identidade visual do Parque do Povo deve muito ao arquiteto Carlos Alberto Melo de Almeida. Responsável pelo projeto da Pirâmide, o profissional recordou, em registros históricos, que a encomenda do então prefeito Ronaldo Cunha Lima era simples e direta: o gestor queria um “forródromo” coberto para dançar. O projeto, no entanto, superou a funcionalidade. A Pirâmide tornou-se um marco arquitetônico e um símbolo identitário de Campina Grande. A inauguração oficial, em 14 de maio de 1986, marcou o início de uma nova era para o Nordeste, recebendo lendas como Luiz Gonzaga e selando o destino do pátio como o altar da cultura regional.

Expansão e modernidade: o novo layout do Maior São João do Mundo
Ao completar 40 anos, o Parque do Povo vive sua fase de maior robustez estrutural. Em 2024, o espaço passou por uma ampliação histórica que integrou o pátio de eventos ao Parque Evaldo Cruz (Açude Novo). Com um investimento de aproximadamente R$ 40 milhões e a desapropriação de 34 imóveis, o “PP” ganhou 7.500 m² adicionais, totalizando quase 40 mil m² de área útil.

Essa nova configuração permitiu uma redistribuição estratégica: o palco principal, as ilhas de forró e as ativações comerciais ganharam mais fôlego, enquanto a cidade cenográfica passou a ocupar o revitalizado Açude Novo. Para a edição de 2026, a montagem das estruturas já começou, com a promessa de 33 dias de festa, de 3 de junho a 5 de julho, e um layout que prioriza a fluidez do público e a segurança, com postos policiais e médicos integrados.

Um pátio de milagres, recordes e tradições
A versatilidade do Parque do Povo é comprovada pela sua capacidade de se transformar. Se em junho o milho é o rei, no Carnaval o espaço se transmuta no “Carnaval da Paz”. Há 23 anos, o local sedia o Encontro para a Consciência Cristã, evento que em 2026 reuniu cerca de 100 mil pessoas, transformando a Pirâmide em uma grande livraria e plenário de fé.

No calendário dos afetos, o dia 12 de junho guarda uma das tradições mais emocionantes: o Casamento Coletivo. Sob o teto da Pirâmide, 100 casais oficializam a união em uma cerimônia que, segundo a professora Gisele Sampaio, coordenadora histórica do evento, confere uma singularidade única ao festejo.

O espaço é também cenário de superações. É lá que Campina Grande ostenta, pela 11ª vez consecutiva, o título de maior bolo de milho do Brasil) que em 2025 atingiu quase 50 metros de comprimento (e onde 2,5 mil forrozeiros se unem para formar a maior quadrilha junina do país.

Para o decorador José Sereco, que há décadas dá cor ao local com bandeiras e balões, o Parque do Povo é a energia primordial da cidade. “Se o turista não passar por debaixo da Pirâmide, ele não foi batizado”, brinca o artista, resumindo o sentimento de uma cidade que vê, naquele pátio, a materialização de sua própria história.

da Redação

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