
Um grave acidente envolvendo a queda de um elevador assustou moradores de um condomínio residencial no bairro Altiplano Cabo Branco, em João Pessoa, no início da noite dessa quarta-feira (13). O equipamento despencou do terceiro andar até o fosso, transportando uma mulher de 36 anos e duas crianças, de 3 e 5 anos, que ficaram presas na cabine após o impacto.
O resgate das vítimas foi iniciado pelos próprios moradores, que conseguiram abrir a porta do elevador antes da chegada das equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu. A mulher, que apresentava ferimentos e dores intensas pelo corpo, foi levada ao Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, onde permanece internada em quadro clínico estável após passar por procedimentos de urgência. As crianças sofreram escoriações leves e receberam alta nesta quinta-feira (14), após período de observação.
Histórico de falhas e batalha judicial
O acidente ocorre em meio a uma disputa jurídica entre o condomínio e a construtora responsável pelo empreendimento, entregue em setembro de 2023. Documentos que tramitam na 7ª Vara Cível da Capital revelam que os moradores já denunciavam falhas graves nos elevadores desde a inauguração, incluindo travamentos, pane nos sistemas de segurança, incêndio no fosso e até outro episódio de queda abrupta em um bloco diferente.
Em janeiro de 2025, a Justiça chegou a determinar a substituição integral de todos os equipamentos do residencial, mas a decisão foi alvo de recurso e o processo segue em tramitação. Entre as queixas mais graves registradas nos autos, consta que os interfones de emergência das cabines não funcionavam, impossibilitando pedidos de ajuda imediatos em caso de pane.
Laudo técnico e posicionamento das partes
Um laudo técnico pericial, elaborado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, apontou irregularidades críticas, como a ausência de iluminação de emergência, falhas no aterramento elétrico e problemas na máquina de tração. O relatório foi enfático ao afirmar que o sistema não atendia às normas de segurança nem à capacidade de peso da estrutura, recomendando a troca completa.
Em nota, a construtora defendeu-se afirmando que, após a entrega das chaves e o início da ocupação, a responsabilidade pela manutenção periódica dos equipamentos de uso comum é de atribuição exclusiva do condomínio. A empresa declarou que está à disposição das autoridades para colaborar com as perícias que devem determinar as causas exatas da falha mecânica ocorrida nesta quarta-feira.
da Redação