MPT denuncia influenciador Hytalo Santos por tráfico de pessoas e trabalho análogo à escravidão

O Ministério Público do Trabalho denunciou o influenciador Hytalo Santos e o marido dele, Israel Vicente, conhecido como Euro, por tráfico de pessoas para exploração sexual e submissão a trabalho em condições análogas à escravidão. A informação foi divulgada nesta sexta-feira.

A denúncia integra uma investigação na esfera trabalhista e é independente dos processos criminais em que Hytalo já responde por produção de conteúdo envolvendo exploração sexual de adolescentes. Até o momento, a defesa informou que se manifestaria, mas não havia encaminhado posicionamento oficial.

De acordo com o MPT, há indícios de que adolescentes eram levados para morar com o influenciador e submetidos a práticas como isolamento do convívio familiar, controle rigoroso da rotina, restrição de liberdade, ausência de remuneração, jornadas exaustivas de gravações, coação psicológica e interferências sobre identidade de gênero e orientação sexual. O órgão também aponta exposição sexualizada nas redes sociais, participação em ambientes incompatíveis com a idade, monetização das imagens e realização de procedimentos estéticos para potencializar apelo sexual.

O Ministério Público afirma que eventual consentimento dos adolescentes ou de seus pais é irrelevante, por considerar que os menores não têm condições de reconhecer a violência sofrida e que os responsáveis estariam sujeitos a benefícios oferecidos pelo influenciador.

A pedido do MPT, a Justiça do Trabalho determinou o bloqueio de bens, veículos, empresas e valores que podem chegar a R$ 20 milhões. Também foram expedidos ofícios para órgãos de proteção, com solicitação de atendimento psicológico, médico e social imediato às vítimas.

O órgão pede condenação por danos morais coletivos no valor de R$ 12 milhões, além de indenizações individuais entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões para cada vítima. Nos casos de menores de idade, os valores devem ser depositados em poupança, com liberação apenas após os 18 anos.

O MPT também apontou responsabilidade dos pais, alegando que houve entrega ilegal dos filhos a terceiros em troca de benefícios materiais. Embora não tenha pedido punição patrimonial aos genitores na Justiça do Trabalho, o órgão destacou que as condutas podem ser analisadas na esfera criminal e solicitou medidas para impedir que os menores sejam submetidos a exploração sexual ou a qualquer forma de trabalho infantil.

da Redação

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