Política

Ricardo Coutinho declara voto em Hugo Motta e diz que saída de Flávio Bolsonaro do Brasil é “explícita confissão de culpa”

O ex-governador da Paraíba e deputado federal eleito Ricardo Coutinho (PT) afirmou, nesta quarta-feira (28), que votará em Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara dos Deputados. A declaração foi dada durante entrevista à Rádio BandNews FM João Pessoa (101,1 MHz).

Ricardo explicou que o apoio está relacionado a um entendimento da bancada do PT e não representa a formação de um bloco político com o PL. Segundo ele, o grupo foi criado para organizar a ocupação de espaços na Câmara, como comissões e a Mesa Diretora, e não para estabelecer uma aliança automática em votações de projetos.

“Nós não temos conversa nenhuma com a extrema-direita. Extrema-direita fique para lá. Nós não fazemos bloco com a extrema-direita. Esse bloco é apenas para o exercício parlamentar, para ocupação dos espaços dentro da Câmara, das comissões e da Mesa Diretora”, explicou o ex-governador.

O deputado eleito ressaltou que o PT não pretende dividir a mesma composição com a extrema-direita. Ele também condicionou o apoio à atuação de Hugo Motta em torno de uma agenda que, conforme defendeu, deve incluir direitos das mulheres, medidas econômicas e mudanças na condução do Banco Central.

“O PT fará parte, desde que o PL não faça parte, porque, repito, nós não vamos estar no mesmo espaço que eles, na mesma composição. Ao mesmo tempo, o apoio depende de que Hugo Motta respeite a agenda que nós temos, uma agenda fundamental para o nosso país”, disse.

Durante a entrevista, Ricardo Coutinho também comentou a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial no último domingo (25). O ex-governador classificou o episódio como uma “explícita confissão de culpa” e comparou a atitude à decisão de Lula de permanecer no país e cumprir a prisão durante a Operação Lava Jato.

“Eu acho que é uma reação que muita gente já sabia. Eu, por exemplo, já sabia. É uma explícita confissão de culpa, é uma pessoa que age covardemente. Você vê um cara como o Lula: quando houve toda aquela armação contra ele, ele poderia ter ido para uma embaixada e não ter sido preso, mas foi para São Bernardo do Campo, para o Sindicato dos Metalúrgicos, onde tudo começou, e disse: ‘Eu me entrego, podem vir me apanhar aqui’”, declarou Coutinho.

O ex-governador criticou o fato de o senador buscar abrigo no exterior e afirmou que a direita brasileira precisa se afastar do bolsonarismo para se reorganizar politicamente.

Na avaliação de Ricardo, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é o nome mais forte para assumir a liderança desse campo político. Ele, no entanto, disse que a direita só poderá se fortalecer caso deixe de ser comandada pela família Bolsonaro.

Ricardo também defendeu que o governo Lula adote uma agenda ampla, com participação popular e projetos de longo prazo. Entre as prioridades citadas por ele estão investimentos em ferrovias, a ligação entre São Paulo e Rio de Janeiro por trem-bala, o uso mais produtivo dos recursos hídricos e uma política de desenvolvimento que valorize o Nordeste.

Questionado sobre a possibilidade de assumir um ministério no quarto mandato de Lula, o petista afirmou que não houve qualquer conversa sobre sua participação no Governo. Ele disse que foi eleito para exercer o mandato de deputado federal e que está disposto a cumprir essa função, caso seja convocado pelo partido.

“Em nenhum momento houve qualquer diálogo, qualquer conversa acerca de qualquer participação minha no governo, em nenhum ministério. Eu fui eleito para ser deputado federal, tenho disposição para ser deputado federal e fazer esses debates. Por mim, estou bem onde estou, mas, ao mesmo tempo, eu cumpro missões e sigo orientações”, finalizou.

da Redação

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