
O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) entrou com o celular na mão na cabine de votação durante o primeiro turno das Eleições 2026, na manhã deste domingo (4), em Araxá, no Alto Paranaíba. Ele votou na Escola Estadual Delfim Moreira, onde chegou por volta das 9h.
A legislação eleitoral proíbe que o eleitor leve aparelhos celulares, mesmo desligados, para dentro da cabine. Antes de votar, o dispositivo deve ser deixado no local indicado pela mesa receptora, como forma de preservar o sigilo do voto.
Após a votação, Zema afirmou que não foi orientado a deixar o aparelho antes de entrar na cabine. “Eu ando com o celular o dia todo, né? Ele é quase como se fosse um dedo. Ninguém me lembrou ali e eu fui votar normalmente, mas isso não afetou em nada o meu voto, a minha forma de votar. Não fotografei nada, não fiz nada com o celular ali. Fui só votar mesmo”, declarou.
Depois de votar, Zema também criticou o Judiciário. Na avaliação dele, decisões judiciais estariam favorecendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa eleitoral.
“O Judiciário claramente está sendo utilizado para que Lula e o PT tenham vantagens nessa eleição. Como eles não têm resultados bons, estão tentando ganhar na canelada, e o juiz não está apontando falta”, afirmou.
O candidato disse considerar que existe um “Judiciário capturado pelo PT” e declarou que continuará fazendo denúncias. “Isso não me amedronta em nada. Já vasculharam a minha vida. Não fui eu que tive contato com banqueiro bandido”, declarou.
Zema também afirmou que permanecerá na política independentemente do resultado das urnas. “Vou continuar a luta, independentemente de resultado. Nós queremos e já provamos que é possível fazer política limpa, sem levar parentada. Eu mostrei que é possível fazer política sem corrupção.”
Sobre a disputa em Minas Gerais, o candidato disse estar satisfeito com a possibilidade de derrota do PT no estado. “Estou satisfeito que, em Minas, a chance de o PT ganhar é cada vez menor”, afirmou.
A previsão era de que Zema deixasse Araxá de carro com destino a Belo Horizonte, onde acompanharia a apuração no Bar da Esquina, na Rua Sergipe, na região central da capital mineira.
TRE-MG vai apurar o caso
O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), Carlos Henrique Perpétuo Braga, informou que o episódio será analisado pelas autoridades eleitorais. Segundo ele, o juiz eleitoral deverá apurar os fatos antes de o caso ser encaminhado ao tribunal, que decidirá sobre eventuais providências.
“Nós vamos apurar os fatos e, uma vez apurados pelo juiz eleitoral, isso chegando ao nosso conhecimento do tribunal, nós tomaremos as providências. Quero dizer também que os mesários foram devidamente instruídos também para evitar isso. Então, se isso aconteceu, foi uma sucessão de equívocos, para dizer o mínimo, que nós apuraremos”, afirmou.
Durante uma coletiva de imprensa, o presidente do TRE-MG reforçou que o uso de celular na cabine é considerado crime eleitoral e pode resultar em pena de detenção.
“Em primeiro lugar, valem as regras e as regras dizem que não é possível usar o celular na cabine de votação. Isso não é possível, isso é irregular, isso caracteriza crime. Isso pode inclusive gerar pena de detenção”, acrescentou.
O parágrafo único do artigo 91-A da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) estabelece que é proibido portar aparelho de telefonia celular, máquina fotográfica ou filmadora dentro da cabine de votação. O artigo 312 do Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965) prevê pena de prisão de até dois anos para a violação do sigilo do voto.
da Redação



