Ricardo Coutinho diz que perseguição o motivou a disputar vaga na Câmara e cobra posição de Léo Bezerra

O deputado federal eleito Ricardo Coutinho (PT) afirmou nesta terça-feira (13) que a perseguição que, segundo ele, sofreu de integrantes do Ministério Público e do Poder Judiciário influenciou sua decisão de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. A declaração foi dada durante entrevista à Rádio Arapuan FM.
De acordo com o ex-governador da Paraíba, outro fator determinante foi um convite feito no ano passado pela presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para reforçar a bancada petista na Câmara.
“Talvez eu nem fosse candidato, se não fosse a perseguição que eu sofri. A perseguição de membros do Ministério Público e membros do Poder Judiciário. Se não fosse essa perseguição, que eu sempre qualifiquei como uma farsa, eu talvez não fosse nem candidato”, declarou.
Ricardo Coutinho disse que, depois de ser absolvido pela Justiça, decidiu buscar também o reconhecimento dos eleitores. Segundo ele, o resultado nas urnas alcançou esse objetivo.
“Eu já tinha tido absolvição na justiça, na mais alta corte, e agora eu queria absolvição na população. E ela veio de uma forma indiscutível. E eu me sinto muito motivado”, afirmou.
Avaliação sobre o primeiro turno
Durante a entrevista, o deputado eleito avaliou que parte dos eleitores de Lula se acomodou antes do primeiro turno das eleições presidenciais. Na opinião dele, muitos acreditavam que a vitória do petista estaria garantida, o que teria contribuído para o resultado da votação.
Ricardo também citou a redução no número de seções eleitorais, especialmente no Nordeste, e fez críticas às alterações na distribuição das urnas. As afirmações foram apresentadas por ele como fatores que interferiram no desempenho de Lula.
“Houve uma troca de urnas absurda e um aumento no número de eleitores. Foram 1600 seções eleitorais a menos, e a maior parte dessas mudanças aconteceu no Nordeste”, disse.
O petista afirmou ainda que a militância pode alterar o cenário no segundo turno e mencionou a mobilização realizada na Praça da Paz, no bairro dos Bancários, na semana anterior.
“Será uma batalha dura para os dois lados”, projetou.
Cobrança a Léo Bezerra
Ricardo Coutinho também defendeu que o prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra, se posicione sobre a disputa presidencial. Para o deputado eleito, o gestor tem um perfil moderado e deverá anunciar a própria decisão.
“Eu acho que Léo Bezerra precisa se definir. Acho que, pelo perfil dele, ele tem uma definição. Cabe a ele anunciar naturalmente, né? Não creio que vá se colocar em um campo extremista, quando tem um perfil muito mais moderado”, afirmou.
O ex-governador disse que pessoas que ocupam cargos públicos e atuam na política precisam assumir posições diante das eleições.
“Agora, ele precisa se definir, sim. É um direito e um dever dele. Quem governa tem essa coisa: você não pode não ter posição. Quem governa tem posição e vou mais além: quem está na política tem que ter posição”, declarou.
Possível candidatura em 2028
Questionado sobre a possibilidade de disputar a Prefeitura de João Pessoa em 2028, Ricardo afirmou que pretende priorizar o mandato na Câmara dos Deputados. Ele também defendeu que o PT e os partidos de esquerda invistam na formação de novas lideranças.
“Eu tô com muita vontade de fazer o mandato de deputado federal. E acho que o PT e as forças de esquerda democrática precisam investir no surgimento de novos quadros”, disse.
Como exemplos, citou o deputado estadual eleito Flávio Brasileiro (PT) e a deputada estadual reeleita Cida Ramos (PT). Segundo Ricardo, a preparação de novos nomes exige tempo.
“Não é porque alguém tem uma votação alta para deputado que ele automaticamente vai ser prefeito. Não é assim que funciona. Afinal, você entregar uma cidade para que alguém governe, o pensamento já não é o mesmo pensamento de entregar um mandato de deputado para que alguém vá lá e exerça. São coisas totalmente diferentes”, declarou.
Embora não tenha descartado diretamente uma eventual candidatura em 2028, Ricardo Coutinho afirmou que, neste momento, está concentrado no mandato federal e avaliou que ainda há tempo para discutir a sucessão municipal na Capital Paraibana.
da Redação



