
O monitoramento ambiental da costa paraibana ganhou o reforço de tecnologia de ponta para traçar um diagnóstico detalhado sobre a saúde do ecossistema marinho. Pesquisadores do Programa Estratégico de Estruturas Artificiais Marinhas da Paraíba (Preamar) concluíram uma série de varreduras utilizando um robô subaquático operado remotamente em mais de 50 estações marítimas de difícil acesso, além de realizarem 200 voos de drones para levantamentos aéreos. Os dados integrados servem de base para avaliar a produtividade pesqueira local e dimensionar os reais impactos causados pelas mudanças climáticas e pelas atividades humanas ao longo da plataforma continental do estado.
Os levantamentos técnicos, que começaram em setembro de 2025, já somam 64 cruzeiros oceanográficos responsáveis por mapear as condições físicas e químicas da água. Com o uso de um equipamento multiparâmetro, os cientistas medem em tempo real índices como temperatura, salinidade, pH, turbidez e presença de matéria orgânica. Paralelamente, o grupo recolheu mais de 500 amostras de organismos bentônicos, que vivem no fundo do mar associados a rochas e recifes, incluindo algas, moluscos e microrganismos. O mapeamento da fauna conta ainda com filmagens subaquáticas sistemáticas e a instalação de câmeras com iscas para registrar as espécies com o mínimo de interferência humana no habitat natural.
Para monitorar as correntes marítimas e propor soluções contra a erosão costeira, sensores acústicos de alta precisão foram instalados em pontos estratégicos do litoral. O coordenador científico do Preamar, Cláudio Dybas, explicou que os trabalhos de campo estão na reta final de coleta e análise laboratorial. Além da caracterização ambiental, o projeto finaliza um censo completo da cadeia produtiva da pesca na Paraíba, o que vai fornecer aos órgãos de gestão o número exato de pescadores cadastrados em atividade, as principais espécies capturadas e a real situação das embarcações que atuam na costa.
da Redação